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Será que já ouviram falar de Joana, uma mulher que supostamente subiu ao trono papal?

Conta-nos a sua história que Joana se disfarçou de homem e se juntou a um mosteiro. Foi aprendendo cada vez mais, chegando a fama da sua sabedoria a tornar-se tão grande que acabou por ir subindo na escada da igreja e acabou por chegar a papa. Contudo, acabou por engravidar de um amado e teve o seu filho durante uma procissão na própria cidade de Roma. Se morreu durante esse nascimento, se foi depois morta pelos fiéis, ou se foi deposta e levada para um convento, as diversas fontes parecem discordar em relação a esse ponto.

 

Mas... terá esta história acontecido mesmo? A maior parte dos estudiosos do tema dizem que não, mas... porque existe uma carta de tarot chamada "a papisa"? Porque existe em Roma uma rua evitada durante cortejos papais, supostamente o local em que esta papisa deu à luz? Porque são diversas as fontes que afirmam ter visto, na galeria onde eram guardados os bustos dos vários papas, uma figura claramente feminina? Porque terá escrito um famoso autor (cremos que Erasmo, mas a memória poderá estar a trair-nos) que viu em Roma uma estátua desta papisa com o seu filho nos braços? E também, porque existe no Vaticano uma cadeira com um buraco, supostamente desenhada para verificar os genitais daqueles que ascedem ao trono papal? A resposta a todas estas questões, deixamo-la aos leitores - fica o desafio!

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Após o seu proémio, a Teogonia de Hesíodo começa com uma frase emblemática, "Primeiro nasceu o Caos", uma espécie de divindade da qual depois irá, progessivamente, nascer tudo aquilo que existe. E, considerado puramente assim, num vazio cultural, poderá parecer-nos uma criação que tem uma certa lógica... isto, até considerarmos o mesmo problema que, segundo reza a história, levou Epicuro a dedicar-se à filosofia - de onde nasceu esse Caos? O poeta grego nunca responde à questão, mas pelos versos que se lhe seguem compreendemos que terá de ter nascido de alguém, de alguma coisa, de algum lado. Mas de onde? De um nada tão grande que nem tinha um nome? A ideia de que somente já existia, desde o início dos tempos, não faz sentido, pelo facto de nos ser dito que ele "nasceu". Por isso, fica a questão!

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"O que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?" - quem nunca se fez essa pergunta? É, de um ponto de vista filosófico, uma das questões que até hoje mais parece ter assolado a humanidade, mas um dos tratados de Censorino, referindo-se às opiniões de alguns filósofos, dá uma possível solução - diz-nos então que as coisas que existem nunca tiveram um princípio e jamais terão um término. Não nos é explicado, directamente, como isso iria influenciar a questão, mas é provável que estivessem a referir que nunca existiu um ovo de onde tenha nascido a primeira galinha, ou uma galinha que tenha posto um primeiro de todos os ovos.

 

Portanto, permanece a questão - quem nasceu primeiro, afinal de contas? Fica, como sempre, o convite para que partilhem as vossas opiniões nos comentários!

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Muitas das histórias de fantasia dos nossos dias tomam partido das figuras das "fadas". E de facto, quando ouvimos essa palavras ficamos, automaticamente, com um conjunto muito específico de características em mente - criaturas pequenas, com asas, mágicas, que vivem nos bosques, etc. Mas de onde vem essa ideia?

 

Por estranho que nos pareça, as fadas não têm uma origem na literatura da Antiguidade. De facto, de todas as obras que nos chegaram, apenas as Núpcias de Mercúrio e Filologia parecem fazer uma breve referência a elas, quando identificam como "longaevi" (i.e. "com muita idade") os seres que viviam nas florestas, entre os quais se contavam os faunos, ninfas, e outras criaturas semelhantes. Mas o autor nunca diz que aí existiam, especificamente, seres que se chamassem "fadas", e recordando que Marciano Capela foi um autor do século V da nossa era - um dos últimos da grande Roma - o seu silêncio em relação ao tema é muito esclarecedor.

 

Nos séculos seguintes as figuras das fadas parecem nascer e crescer progressivamente, mas sem que se saiba especificamente o que aconteceu. As suas características específicas vão sendo apresentadas e assimiladas por diversos autores - o facto destas criaturas serem "longaevi", de terem uma estatura indefinida mas indisputavelmente mais pequena que a dos humanos, etc - mas sem que alguma vez possamos apontar um momento totalmente preciso para a primeira referência concreta a uma fada composta pelas mesmas características que lhes damos hoje.

 

Quererá isto dizer que as fadas simplesmente apareceram na literatura da Idade Média "porque sim", sem que saibamos realmente como isso aconteceu? Mais ou menos... existem algumas teorias interessantes sobre o tema. Apenas para dar um breve exemplo, C. S. Lewis, na sua obra The Discarded Image, refere quatro possibilidades:

 

- As fadas são uma espécie racional de um terceiro tipo, diferente dos anjos e dos homens;

- As fadas são "anjos caídos", mas pertencentes a um grupo diferente do comandado por Lúcifer;

- As fadas são uma classe muito particular de mortos;

- As fadas são demónios.

 

Cada uma destas teorias tem muito que se lhe diga, mas todas elas assentam na ideia de que as fadas não apareceram, pura e simplesmente, na nossa cultura como brotantes de um vazio. A sua ideia-base, bem como a forma como as suas características se foram desenvolvendo, assenta num conjunto de crenças que até podemos associar a outras figuras anteriores, desde os deuses gregos e romanos até a figuras místicas e eventos mais associadas ao Cristianismo.

 

Em termos de conclusão, não temos a certeza absoluta de como a ideia das "fadas" surgiu na mente popular. Sabemos, porém, é que essas figuras nasceram algures na Idade Média e foram tendo as suas características apuradas ao longo dos séculos, até chegarem aos nossos dias numa forma que nem sempre tem a ver com as suas características originais.

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Qualquer pessoa que conheça as histórias do Antigo Testamento estará bem familiarizado com a sequência de eventos que liga um faraó do Egipto a Moisés, e a forma como através da influência do profecta o povo judaico foi libertado da sua grande escravidão (depois deambulando no deserto por 40 anos, mas isso já é aqui secundário). Porém, poucos parecem interrogar-se sobre a identidade do monarca, quase como se o considerassem uma figura puramente mítica. Mas será que o é?

 

Não existem provas indisputáveis seja para o afirmar ou negar, mas sabe-se que o Egipto teve, famosamente, um monarca monoteísta, Akhenaten. Sobre ele existem diversas opiniões na literatura - alguns afirmam que ele teria sido o próprio Moisés; outros, que a figura cristã podia ter sido o seu irmão Tutmose (o texto afirma que as duas figuras foram criadas "como irmãos"), que desapareceu dos registos; e até existem aquele que afirmam que Moisés poderá ter sido um sacerdote desse mesmo culto monoteísta que, posteriormente, foi expulso do Egipto. Não temos forma de saber se estas teorias vão além disso, de meras hipóteses, mas não deixa de ser curioso que o Antigo Egipto tenha tido um único faraó monoteísta, cujo culto quase que nasceu e morreu com ele. É invulgar, demasiado invulgar para se poder acreditar que isso aconteceu apenas "porque sim". Por isso, se a história de Moisés tem um fundo de verdade, faz todo o sentido que ela seja ligada ao culto (solar, relembre-se!) originado por Akhenaten.

 

Que opiniões têm sobre o tema?

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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