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Relativamente à origem da palavra "panfleto", se consultarmos um dicionário ele tende a informar-nos que esta vem do inglês pamphlet. O que nos leva, obrigatoriamente, à questão adicional da origem da palavra no inglês. Na verdade, ela parece vir de um texto medieval chamado Pamphilus de amore, cuja enorme popularidade contribuiu para disseminar a expressão e constituir, de uma forma mais geral, o panfleto como um pequeno texto satírico.

 

Mas de que tratava, afinal, esse Pamphilus de amore? É, naturalmente, um texto satírico, em que um jovem amante procura a afeição da sua amada recorrendo aos serviços de uma sábia idosa. Não sabemos quem o terá escrito, mas a influência das produções poéticas de Ovídio, tão comum num determinado momento da Idade Média, é aqui, sem qualquer dúvida, notável.

O sempre-popular Ovídio

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Banho-maria

Quem gosta de culinária certamente que já ouviu a expressão "banho-maria". O dicionário português da Priberam define-o como um "Líquido quente em que se mete um recipiente que contém aquilo que se quer aquecer", como pode ser visto na imagem acima. Mas, afinal de contas, de onde vem a expressão?

 

A "Maria" a que se refere o processo é uma personagem histórica conhecida como "Maria, a Judia", uma alquimista do primeiro século da nossa era e que, supostamente, o teria inventado. Pouco sabemos sobre essa figura, ou os seus ensinamentos, com a excepção do que está preservado num breve extracto conhecido como Diálogo de Maria e Aros sobre o Magistério de Hermes.

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Existem alguns momentos estranhos na criação deste espaço. Aqueles que, de tempos a tempos, até nos fazem rir um pouco, pela sua singularidade. Este é, de certa forma, um deles.

 

O dicionário da Priberam diz-nos que a palavra menopausa tem por origem dois vocábulos gregos, "menós" e "pausa", sendo que o primeiro significava mês (o segundo tem o mesmo significado que nos nossos dias). A situação ficaria por aqui, não fosse o facto de Varrão nos informar que Júpiter também tinha uma filha chamada Mena. A que presidia ela? Ao fluxo menstrual, juntamente com a nora, Juno (infelizmente, desconhecemos a identidade da mãe).

 

Não somos informados de qualquer mito associado a Mena, mas é sem dúvida possível que a menopausa tenha recebido essa designação por marcar o término da influência desta deusa. Ou então, que a própria deusa tenha obtido o seu nome do conceito grego. Em qualquer dos dois casos, não deixa de ser uma ideia que fascina, pelo facto de muitos vocábulos dos nossos dias ainda esconderem antigos deuses no seu interior...

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Esfera armilar

Quando ouvimos falar de Os Lusíadas todos nos recordamos da famosa obra de Luís de Camões. Mas, afinal de contas, qual é a origem dessa palavra?

 

Aparentemente, foi Garcia de Resende que, perto de finais do século XV, começou a utilizar essa palavra, a mesma posteriormente reusada para título do poema épico de Camões. Como esse primeiro nos explica numa das suas obras, "A Luso, unde Lusitania dicta est, Lusiadas adpellavimus". É, por isso, um apelativo que em última instância deriva de Luso, uma figura mitológica associada a Baco e um suposto fundador da Lusitânia, a quem até é feita uma breve alusão no terceiro canto do poema que todos conhecemos.

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"Nadar contra a corrente" é, como muitos já saberão, debater-nos - frequentemente com pouco ou nenhum sucesso - contra as adversidades que a vida nos vai apresentando. Mas esta curiosa expressão parece já ter quase mais de 2500 anos - aparece não só nos textos platónicos, mas também nos trabalhos de Ovídio, de Santo Agostinho e de São Gregório, o último dos quais até lhe dá o reconhecido estatuto de "provérbio".

 

Com esta outra expressão termina então a sequência que viemos a conduzir nas últimas semanas, relativa à origem de muitas expressões que ainda estão em uso nos nossos dias. Mais virão no futuro!

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Esta pode ser vista como uma frase um pouco problemática, na medida em que ainda é usada nos nossos dias mas não podemos ter, com maiores certezas, que efectivamente esse seu uso ainda venha da Antiguidade. A ideia provém da Antígona de Sófocles, em que a Creonte o próprio filho diz algo como "Se não fosses meu pai, dir-te-ia insensato". É, nesse sentido, uma espécie de admissão de que existem um conjunto de coisas que não devem ser ditas aos nossos pais, independentemente das acções e decisões que tomem.

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"Ave rara"

25.01.18

Esta expressão em particular já ocorria nas obras de Pérsio e Juvenal, em que nos era dito que - por exemplo - cisnes negros e corvos brancos eram as proverbiais "aves raras". Porém, a maior delas era certamente a fénix, pela sua raridade - recorde-se que, como já cá foi dito, ela somente podia ser vista na cidade de Heliópolis uma única vez a cada 500 anos.

O significado da expressão remete-nos, essencialmente, para a ideia de que algumas coisas são muito invulgares nas nossas vidas. Ainda assim, devemos ter em conta que a expressão original não tinha qualquer conotação negativa, contrariamente ao que acontece com a dos nossos dias.

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