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Esfera armilar

Quando ouvimos falar de Os Lusíadas todos nos recordamos da famosa obra de Luís de Camões. Mas, afinal de contas, qual é a origem dessa palavra?

 

Aparentemente, foi Garcia de Resende que, perto de finais do século XV, começou a utilizar essa palavra, a mesma posteriormente reusada para título do poema épico de Camões. Como esse primeiro nos explica numa das suas obras, "A Luso, unde Lusitania dicta est, Lusiadas adpellavimus". É, por isso, um apelativo que em última instância deriva de Luso, uma figura mitológica associada a Baco e um suposto fundador da Lusitânia, a quem até é feita uma breve alusão no terceiro canto do poema que todos conhecemos.

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"Nadar contra a corrente" é, como muitos já saberão, debater-nos - frequentemente com pouco ou nenhum sucesso - contra as adversidades que a vida nos vai apresentando. Mas esta curiosa expressão parece já ter quase mais de 2500 anos - aparece não só nos textos platónicos, mas também nos trabalhos de Ovídio, de Santo Agostinho e de São Gregório, o último dos quais até lhe dá o reconhecido estatuto de "provérbio".

 

Com esta outra expressão termina então a sequência que viemos a conduzir nas últimas semanas, relativa à origem de muitas expressões que ainda estão em uso nos nossos dias. Mais virão no futuro!

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Esta pode ser vista como uma frase um pouco problemática, na medida em que ainda é usada nos nossos dias mas não podemos ter, com maiores certezas, que efectivamente esse seu uso ainda venha da Antiguidade. A ideia provém da Antígona de Sófocles, em que a Creonte o próprio filho diz algo como "Se não fosses meu pai, dir-te-ia insensato". É, nesse sentido, uma espécie de admissão de que existem um conjunto de coisas que não devem ser ditas aos nossos pais, independentemente das acções e decisões que tomem.

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"Ave rara"

25.01.18

Esta expressão em particular já ocorria nas obras de Pérsio e Juvenal, em que nos era dito que - por exemplo - cisnes negros e corvos brancos eram as proverbiais "aves raras". Porém, a maior delas era certamente a fénix, pela sua raridade - recorde-se que, como já cá foi dito, ela somente podia ser vista na cidade de Heliópolis uma única vez a cada 500 anos.

O significado da expressão remete-nos, essencialmente, para a ideia de que algumas coisas são muito invulgares nas nossas vidas. Ainda assim, devemos ter em conta que a expressão original não tinha qualquer conotação negativa, contrariamente ao que acontece com a dos nossos dias.

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Como diziam os antigos, in vino veritas, ou seja, a verdade podia ser obtida através da influência do vinho.

A expressão leva-nos essencialmente à ideia, difícil de refutar, de que as pessoas que já beberam demasiado frequentemente revelam muito mais do que deveriam, chegando até ao ponto de dizer coisas que, mais cedo ou mais tarde, até acabarão por prejudicá-las. Essa é uma dualidade da bebida do famoso deus que bem pode ser apreciada nas mais diversas obras, entre elas a Dionisíaca de Nono.

Mas qual a origem da expressão? Muitos são os autores da Antiguidade que a repetem, não só em letra como em espírito, sendo bastante provável que se tenha tratado de uma expressão muito popular já desde esses tempos. Bebamos, então, aos encantos trazidos pelo deus, mas sem excessos!

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"Morrer a rir"

11.01.18

A fama desta expressão pode levar-nos a uma questão invulgar - será que já alguém morreu a rir? Que verdade existe por detrás da ideia? Infelizmente, se autores como Homero, no livro 18 da Odisseia, ou Terêncio até usam expressões a ela muito semelhantes, parecem fazê-lo de uma forma que é exclusivamente metafórica, um puro exagero com o objectivo de indicar que alguém se riu bastante.

Nas obras que investigámos parecem ter existido pelo menos duas figuras da Antiguidade que morreram a rir - o pintor Zeuxis, depois de uma velhota lhe ter pedido para ser o modelo por detrás de um retrato de Afrodite, e o filósofo estóico Crísipo, após ver um burro a comer figos (acção que até pontuou com uma piada, "agora dêem-lhe também algum vinho"). Por isso, se até pode existir um caso bem real por detrás de toda a expressão, esta parece ter tido, como ainda hoje, uma essência figurada.

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Estas duas expressões têm significados quase opostos, sendo aqui associadas por essa razão.

"A primeira andorinha" apresenta-nos este animal como o símbolo da primavera, na medida em que, ainda hoje, quando começamos a ver as primeiras andorinhas nos céus, mais facilmente nos apercebemos da chegada dessa estação do ano. A sua mais antiga referência que temos pode vir dos Cavaleiros de Aristófanes, em que é dito que um dado evento tomou lugar "antes da chegada das andorinhas", ou seja, como prévio a essa altura do ano.

A segunda expressão, em latim "hirundo non facit ver", transporta-nos a uma ideia quase inversa, na medida de que a presença de uma só andorinha não pode significar, por si só, a chegada da primavera - é precisamente isso que já Aristóteles nos dizia, na sua Ética a Nicómaco, quando afirmava que essa presença, "como a de um único dia de sol", não era um símbolo fidedigno da chegada de toda essa nova estação.

 

Se bem que de formas opostas, estas duas expressões levam-nos à importância de não tomar o todo somente por uma das suas partes. São ambas de uma beleza e simplicidade singular, sendo provável que essa se tenha tratado de uma das razões para terem chegado aos nossos dias.

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