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Quem procurar na Bíblia mais informações sobre a origem e o castigo de Satanás certamente acabará frustrado - quase nenhuma informação aí existe em relação ao tema. De facto, a história completa da queda de Satanás surge de uma forma mais directamente somente no Talmude judaico, em que nos é dito que Satanás (ou Samael, um nome que supostamente significa "veneno de Deus") e os outros anjos foram criados antes dos seres humanos. Mas depois, quando Deus quis criar os seres humanos, alguns dos anjos recusaram-se a aceitar a supremacia dessa nova criação e, como tal, foram precipitados do céu pela figura divina e consumidos pelo fogo.

 

Tenha-se em conta que, como já referido, esta história não é bíblica. Além disso, Satanás nem sempre pode ser identificado com o Diabo; existem momentos em que ambas as figuras são uma só, mas também outros instantes em que são personagens totalmente distintas, sendo a origem do Diabo, enquanto grande figura opositora de Deus, um tema mais complexo a que pensamos voltar no futuro.

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Será que já ouviram falar de Joana, uma mulher que supostamente subiu ao trono papal?

Conta-nos a sua história que Joana se disfarçou de homem e se juntou a um mosteiro. Foi aprendendo cada vez mais, chegando a fama da sua sabedoria a tornar-se tão grande que acabou por ir subindo na escada da igreja e acabou por chegar a papa. Contudo, acabou por engravidar de um amado e teve o seu filho durante uma procissão na própria cidade de Roma. Se morreu durante esse nascimento, se foi depois morta pelos fiéis, ou se foi deposta e levada para um convento, as diversas fontes parecem discordar em relação a esse ponto.

 

Mas... terá esta história acontecido mesmo? A maior parte dos estudiosos do tema dizem que não, mas... porque existe uma carta de tarot chamada "a papisa"? Porque existe em Roma uma rua evitada durante cortejos papais, supostamente o local em que esta papisa deu à luz? Porque são diversas as fontes que afirmam ter visto, na galeria onde eram guardados os bustos dos vários papas, uma figura claramente feminina? Porque terá escrito um famoso autor (cremos que Erasmo, mas a memória poderá estar a trair-nos) que viu em Roma uma estátua desta papisa com o seu filho nos braços? E também, porque existe no Vaticano uma cadeira com um buraco, supostamente desenhada para verificar os genitais daqueles que ascedem ao trono papal? A resposta a todas estas questões, deixamo-la aos leitores - fica o desafio!

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Por volta do ano de 1973 um professor já falecido, Morton Smith, supostamente encontrou uma epístola perdida, da autoria de Clemente de Alexandria, que, de alguma forma, argumentava que dois pequenos episódios tinham sido removidos do Evangelho de Marcos.

É verdade que alguns episódios parecem estar em falta nesse evangelho em particular, e esta descoberta até poderia ser completamente verdade, mas cedo começaram a surgir problemas.

Primeiro que tudo, a epístola nunca foi testada de nenhuma forma, apesar de alguns estudiosos até a terem visto - e fotografado - após a sua descoberta por Morton Smith. Neste momento a epístola já foi removida da sua localização original e está, convenientemente, em parte incerta.

Segundo, as linhas em falta pareciam argumentar que Jesus possa ter tido uma relação potencialmente homossexual com Lázaro - o que nos pareceria muito mais fascinante não se tratasse da enorme coincidência do descobridor da epístola ser, também ele, homossexual.

Em terceiro lugar, a epístola parece terminar no exacto ponto em que Clemente de Alexandria ia explicar ambas as passagens. Seria como se, numa qualquer telenovela, um homem deitado cama de hospital dissesse "Todo o meu tesouro está escondido em..." mesmo antes de falecer.

De uma forma geral, essa sucessão de coincidências é o grande obstáculo a que possamos acreditar na completa veracidade das linhas da Carta de Mar Saba. Até poderão ser completamente verdadeiras, estamos abertos a essa possibilidade, mas... as razões para um cepticismo justificado são também muitíssimo claras.

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Quem nunca quis ver as mais sagradas relíquias da sua religião? Pensamos que muitos responderiam positivamente a um tal convite, pelo que decidimos contar aqui esta pequena curiosidade - no Palácio de Topkapi, em Istambul (Turquia), podem ser encontradas diversas relíquias religiosas, como a espada do Rei David, o bastão de Moisés, o manto de José (será o tal das mil cores?), pêlos da barba de Maomé ou até a espada desse profeta. Se todas estas relíquias são as verdadeiras, isso já é algo que não podemos opinar.

 

Mais informação sobre o local pode ser facilmente encontrado através de uma pesquisa online - por exemplo, este breve artigo pareceu-nos uma introdução interessante.

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Jesus no Corão

07.02.18

Como é provável que muitos já saibam, o Corão (e a própria religião islâmica) surge como uma espécie de continuação do Cristianismo, como esta religião era, também ela, uma espécie de continuação do Judaísmo. Por isso, Jesus Cristo (como, acrescente-se, algumas das principais figuras do Antigo Testamento) também aparece no Corão, mas com algumas divergências face à sua visão cristã. De forma breve, aqui ficam as principais diferenças:

 

  • Jesus não é filho de uma entidade divina. É um profeta (como o foi anteriormente Moisés, e como voltará a sê-lo Maomé), e nasceu do ventre virgem de Maria, mas é repetidamente mencionado que Deus/Alá nunca teve nenhum filho;
  • Jesus não foi crucificado. Não é explicado concretamente o que lhe terá acontecido, mas é dito que ele apenas pareceu ter sido crucificado;
  • A ideia da Trindade é completamente negada (até porque, como já referimos acima, Jesus era um profeta mas não era filho de Deus/Alá);
  • Se a sequência do nascimento de Jesus até começa com o próprio nascimento de Maria, em relação a este primeiro é dito que nasceu numa manjedoura e ao pé de uma palmeira. Pouco depois, Jesus - ainda recém-nascido! - fala miraculosamente, revelando parte da sua missão futura;
  • Jesus, enquanto criança, criou alguns pássaros de barro e deu-lhes vida. Esse milagre não aparece no Novo Testamento, mas já ocorria, pelo menos, num dos evangelhos (apócrifos) da infância de Jesus;
  • Para alimentar uma multidão (talvez a mesma para quem multiplicou os pães e peixes nos quatro evangelhos?), Jesus fez com que uma mesa com comida descesse dos céus.

 

Se este Jesus tem certamente um fundamento bíblico, também parece ter sido influenciado por algumas ideias apócrifas e gnósticas. Não é, contudo, muito diferente da figura do Cristianismo, salvo a excepção de existir uma recorrente (mas necessária, no contexto islâmico) negação da sua divindade.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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