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Na religião do Antigo Egipto muitas eram as coisas que tomavam lugar após a morte. A pesagem da ka (ou do coração) de um defunto, que não poderia exceder o peso de uma pena, é provavelmente uma das mais famosas para os leitores comuns, mas evidentemente que não era a única.

De facto, uma das mais interessantes era o defunto ter de passar por um período em que fazia uma "confissão negativa" dos seus erros, ou seja, contrariamente ao que fazemos hoje, em que na religião de Jesus Cristo vamos a um padre e dizemos o que fizemos de mal, este processo passava por declarar, de uma espécie de lista, um conjunto de erros dos quais não somos culpados. No Papiro de Ani estas eram 42 cláusulas, que deveriam ser declaradas a Maat, deusa da justiça. Mas em que consistiam?

 

No seu âmago, passavam por negar roubos, violência (assassinatos, etc.), a disseminação de más palavras (mentiras, feitiços, enganos, difamações, etc.), ou traições amorosas. Mas entre elas também se contavam afirmações mais inesperadas, como "não fiz ninguém chorar", "não comi corações", "não escutei o que não devia", "não me zanguei sem razão", "não actuei com pressa indevida", "não falei demais", "não falei alto demais" ou "não fui arrogante".

 

Curioso é o facto de estas afirmações terem alguma semelhança com os "10 Mandamentos" do Judaísmo e do Cristianismo, não só pela forma negativa de algumas cláusulas ("Não matarás", "não matarás", "não cobiçarás a mulher alheia", etc.), mas pela própria natureza dos seus conteúdos. Até podem ter uma enorme divergência - as recomendações dos mandamentos, antes dos factos ocorrerem versus a confissão dos mesmos, após tomarem lugar - mas é provável, até tendo em conta toda a história de Moisés, que estas regras judaicas se tenham baseado, de alguma forma, em conteúdos egípcios pré-existentes.

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Apófis

Apófis, também conhecido como Apep, era nos mitos dos Egípcios uma enorme serpente que combatia Rá, a divindade solar, acabando por devorá-lo ao final de cada dia. Na manhã seguinte, Rá vencia-a e acabava por matá-la emergindo da barriga do monstro, apenas para o ver ressuscitar algumas horas mais tarde, num ciclo eterno. Assim, apesar de singelo, este é um mito que claramente servia para explicar a existência do dia e da noite, da luz e das trevas, da mais famosa de todas as dualidades.

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Qualquer pessoa que conheça as histórias do Antigo Testamento estará bem familiarizado com a sequência de eventos que liga um faraó do Egipto a Moisés, e a forma como através da influência do profecta o povo judaico foi libertado da sua grande escravidão (depois deambulando no deserto por 40 anos, mas isso já é aqui secundário). Porém, poucos parecem interrogar-se sobre a identidade do monarca, quase como se o considerassem uma figura puramente mítica. Mas será que o é?

 

Não existem provas indisputáveis seja para o afirmar ou negar, mas sabe-se que o Egipto teve, famosamente, um monarca monoteísta, Akhenaten. Sobre ele existem diversas opiniões na literatura - alguns afirmam que ele teria sido o próprio Moisés; outros, que a figura cristã podia ter sido o seu irmão Tutmose (o texto afirma que as duas figuras foram criadas "como irmãos"), que desapareceu dos registos; e até existem aquele que afirmam que Moisés poderá ter sido um sacerdote desse mesmo culto monoteísta que, posteriormente, foi expulso do Egipto. Não temos forma de saber se estas teorias vão além disso, de meras hipóteses, mas não deixa de ser curioso que o Antigo Egipto tenha tido um único faraó monoteísta, cujo culto quase que nasceu e morreu com ele. É invulgar, demasiado invulgar para se poder acreditar que isso aconteceu apenas "porque sim". Por isso, se a história de Moisés tem um fundo de verdade, faz todo o sentido que ela seja ligada ao culto (solar, relembre-se!) originado por Akhenaten.

 

Que opiniões têm sobre o tema?

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O mito de Ifis

01.09.17

São poucos os mitos gregos que abordam o tema de uma possível transexualidade, e o de Ifis é provavelmente o menos conhecido.

 

Conta-nos Ovídio que Ligdo não queria ter um filho, pelo que quando a sua esposa engravidou este lhe ordenou que caso desse à luz uma menina deveria matá-la. Como qualquer mulher Teletusa ficou em pleno desespero, mas alguns deuses egípcios surgiram-lhe num sonho e pediram-lhe que criasse a criança, já que eles fariam com que tudo corresse bem.É evidente que esta futura mãe seguiu as indicações divinas.

Vários anos mais tarde, quando a jovem Ifis [atente-se no nome masculino] se preparava para casar, também o seu estado de desespero a levou a dirigir-se aos deuses, num lamento curiosíssimo reproduzido pelo poeta latino. Foi Isis que a transformou num homem, permitindo o casamento, mas o mito pouco mais nos diz sobre a vida desta figura.

 

A presença de diversas divindades egípcias tornam este um mito curioso. É provável que o poeta só o conhecesse em segunda mão, até pelo facto de muitas perguntas ficarem por responder, dando uma sensação de se tratar de uma rescrita. Nenhum outro autor menciona este mito, nem sabemos se Ifis estava totalmente de acordo com esta metamorfose (amaria ela a sua futura esposa? Não é totalmente claro), mas existem várias outros mitos em que mulheres eram transformadas em homens, de que o caso de Ceneia/Ceneu é o mais famoso.

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fonte
As religiões, no seu geral, têm muitos fundamentos semelhantes. Cada uma é válida para os seus seguidores, mas o que aconteceria se, como neste pequeno comic, quando chegássemos ao outro mundo lá estivesse uma religião tão desaparecida como a do Antigo Egipto? Fica a ideia.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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