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O encontro de Penélope com Ulisses

Penélope, esposa de Ulisses, é particularmente famosa da Odisseia graças à sua enorme fidelidade, mesmo após duas décadas de ausência do herói. Contudo, existem, nesta e naquela fonte menos conhecida, diversas referências a potenciais infidelidades da sua parte. Não valerá a pena recordá-las a todas - pobre Penélope! - mas existe uma tão curiosa que não poderíamos deixar de a mencionar por cá.

 

Segundo um dos fragmentos de Dúris de Samos, esta personagem mitológica tinha sido mãe de Pã. Mas quem era o pai? Jamais acertariam na resposta, porque se tratava... de todos os pretendentes da heroína, como se ela se tivesse envolvido sexualmente com todos eles e daí fosse gerado um único filho. Essa possibilidade merece ser contrastada com a do mito de Alcmena, que envolvendo-se com Zeus e Anfitrião numa mesma noite, gerou dois filhos, um do deus e outro do marido.

 

Mas de onde vem uma tão absurda possibilidade? Provavelmente da etimologia - Pan significava "todos", e por isso uma potencial traição com todos poderia vir a gerar, simbolicamente, esta criatura.

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Imagem da Quimera

Muitos são os grandes mistérios escondidos em breves versos da Ilíada, mas este é especialmente intrigante. No livro XVI dessa obra, por volta dos versos 325-330, é mencionada a monstruosa Quimera, que pode ser vista na imagem acima. Sobre ela, o poeta rapidamente acrescenta que o monstro destruidor de homens foi cuidado por um tal "Araisodaro"; dele sabemos apenas que tinha filhos e que era rei, mas... para que cuidou ele de uma tal criatura? Nenhum outro autor o parece explicar... seria um animal de estimação?

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Por vezes gostamos de explorar um pouco as questões e pesquisas que as pessoas fazem neste espaço. Nesse sentido, há uns dias alguém procurou por cá a pergunta que dá o título a esta entrada. Correndo o risco de estar a fazer o trabalho de casa de algum aluno, achámos que poderíamos escrever um pouco sobre ela.

 

Existem várias alusões na literatura da Antiguidade a uma primordial divisão do mundo em três partes. Segundo um dos livros da Ilíada (apenas para mencionar uma das fontes mais óbvias), numa dada altura foram tiradas sortes e, por mero acaso, foi então decidido que os céus ficariam para Zeus, os mares para Poseidon e o submundo para Hades. Não verificámos os comentadores a essa passagem, mas é provável que essa divisão já fosse até conhecida no tempo dos poemas de Homero; outros autores também a ela fazem alusão, não parecendo existir qualquer versão alternativa do episódio em que, por exemplo, Zeus seja o senhor dos oceanos ou do submundo; existem, porém, versões satíricas em que esse cânone primordial é, de alguma forma, remexido ou parcialmente alterado.

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Este soneto merece uma explicação um pouco maior, já que se refere, inicialmente, a um mito pouco conhecido. Antes de chegarem a Tróia os Gregos atacaram várias cidades. Uma delas foi aquela sobre a qual Télefo reinava; este rei defrontou em combate Aquiles, que o feriu com a sua famosa lança. Contudo, com o passar do tempo essa ferida não curava... em busca de uma resposta, o monarca foi a Delfos e o famoso oráculo revelou-lhe que esta só podia ser curada com a mesma lança com a causou. Seguindo essa indicação o herói é posteriormente curado, de uma forma que não é muito clara nas versões que nos chegaram; também o sujeito poético aqui esperava ser curado pela visão de sua amada, como o poema nos diz:

 

Ferido sem ter cura perecia
O forte e duro Télefo temido
Por aquele que na água foi metido,
E a quem ferro nenhum cortar podia.

Quando ao apolóneo oráculo pedia
Conselho para ser restituido,
Respondeu-lhe, [que] tornasse a ser ferido
Por quem o já ferira, e sararia.

Assim, Senhora, quer minha ventura;
Que ferido de ver-vos claramente,
Com tornar-vos a ver o Amor me cura.

Mas é tão doce vossa formosura,
Que fico como o hidrópico doente,
Que bebendo lhe cresce maior secura.

 

(Soneto LXIX)

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Diversas são as fontes da Antiguidade que nos contam algo curioso - existiam em terras da Lusitânia éguas que engravidavam somente por causa dos ventos. O episódio é localizado perto de Olisipo e do Rio Tejo; Varrão coloca-o no "Monte Tagro", Columela diz que o local era o "Monte Sagrado", enquanto que as fontes posteriores nada de muito útil adicionam em relação ao local em que tamanho prodígio tomava lugar. Onde seria? É provável que se tenha tratado de Sintra, até pelas enormes ventanias que existem próximas dessa serra. Mas, ainda assim, ninguém parece ter uma absoluta certeza... mas isso bem justificaria a sua fama!

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Este espaço é da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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