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Poucas criaturas dos mitos gregos são tão famosas como os centauros. Parte ser humano e parte equídeo, são diversas as sequências mitológicas em que vão aparecendo. Mas, afinal de contas, de onde nasceram estas estranhas criaturas?

Esqueleto de Centauro

De acordo com a versão mais famosa do mito, numa altura em que os deuses e os seres humanos ainda partilhavam os mesmos espaços, o rei Íxion apaixonou-se pela deusa Hera. Zeus, que tudo sabia, fez uma nuvem em forma da sua esposa. Quando o rei a viu, pensou tratar-se da sua amada e tentou violá-la; foi dessa união pouco natural e muito ilegítima que nasceram os centauros.

Porém, esta não é a única versão do mito. Numa outra, estas criaturas nasceram simplesmente da paixão de um homem chamado Centauro, filho de Íxion e Nefele (i.e. a nuvem do mito anterior), pelas éguas do monte em que vivia. Uma terceira versão, provinda de autores como Palaefato, diz que os centauros nunca existiram - em vez disso, a sua ideia surgiu somente porque tinha existido uma tribo de homens que conduzia os seus cavalos de uma forma tão perfeita que ambas as criaturas pareciam tratar-se de uma só.

 

Agora, se são vários os mitos que se referem a centauros do sexo masculino, somos levados a uma questão adicional - será que existiram "Centauras"? Apesar de terem pouca participação nos mitos, a resposta é positiva. Ovídio menciona o caso de uma centaura que se suicidou após o falecimento do marido na famosa batalha contra os Lápitas. Além disso, existem, aqui e ali, exemplos destas criaturas femininas na arte, que se prolongam até aos nossos dias.

Centaura e um Humano

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(Possivelmente) a Gruta de Circe

Segundo notícias que saíram há alguns dias, é possível que se tenha encontrado uma caverna em que, segundo os mitos, a Circe da Odisseia vivia. Para mais informação basta carregar na imagem acima (o artigo está em inglês).

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Hoje recordamos um filme mudo de 1924, sobre o mito de Helena de Tróia. São mais de três horas de filme, com legendas no seu original alemão, mas não deixa de ser interessante relembrar como os mitos de Tróia foram retratados há já quase uma centena de anos.

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Colar de Harmonia a ser oferecido

Há algumas semanas atrás, quando escrevemos sobre o Copo de Vulcano, uma leitora veio-nos perguntar que poderes mágicos tinha esse copo. Na altura tivemos de lhe dizer que este não tinha quaisquer poderes e que, de facto, os objectos terem poderes era algo pouco frequente nos mitos gregos. A Caixa de Pandora, o Escudo de Aquiles, a Armadura de Mémnon, e outros que tais, eram conhecidos em virtude da fama dos seus possuidores iniciais, mais do que por vias de um qualquer poder que pudessem ter. Mas, aqui e ali, até existem algumas excepções, de que o Colar de Harmonia é, muito provavelmente, uma das mais famosas.

 

Conta-nos o mito que, num dado dia, Hefesto apanhou a mulher, Afrodite, a traí-lo com o deus Ares, e por isso decidiu amaldiçoar toda a prole que os dois amantes viessem a ter. Dessa traição nasceu Harmonia, a quem Hefesto deu o mais belo colar alguma vez feito, que até tinha o poder de dar beleza e juventude eterna a quem o possuísse (o que o tornou, diga-se, muito popular entre o sexo feminino). Mas, antes que nos perguntem onde o obter, havia também um "pequeníssimo" senão - a possuidora ficava amaldiçoada e condenada a sofrer tormentas sem fim.

Ainda assim, o colar foi passando de mão em mão, causando repetidos sofrimentos. Na imagem acima, por exemplo, ele pode ser visto no momento em que Polinices o usou para subornar Erifile, para que esta convencesse o marido a juntar-se à Guerra de Tebas. Ela aceitou-o e acabou por sofrer as consequências expectáveis.

Depois, este colar continuou a passar de mão em mão, até que alguém teve a sensatez de o oferecer a um templo em Delfos. Aí ficou durante bastante tempo, até que o tirano Fáilo, provavelmente no século IV a.C., o retirou do local e ofereceu à amante. Em seguida, o seu filho mais novo enloqueceu, deitou fogo à casa em que viviam e morreu juntamente com a própria mãe.

 

Caso alguém deseje ir procurá-lo, onde está agora este Colar de Harmonia? A verdade é que não sabemos... a amante de Fáilo parece ter sido a sua última possuidora, e depois dessa altura a peça de joalharia parece ter desaparecido de todas as histórias que nos chegaram. E, a acreditarmos na veracidade dos seus poderes mágicos, esse até é um desaparecimento que em nada prejudica a humanidade!

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Cavalo de Tróia

Hoje, convém começar por assegurar aos leitores que alguém perguntou mesmo isto ali na secção de pesquisa - "O Cavalo de Tróia foi real?" É como quem diz, "será que o Cavalo de Tróia existiu mesmo?"

 

Se quiserem uma resposta simples e rápida, não temos quaisquer provas de uma existência real do Cavalo de Tróia, nem do que lhe aconteceu depois da suposta conquista da cidade (presume-se que tenha ardido no fogo?). Mas, de uma forma mais leve, propomos um exercício pouco vulgar neste espaço - imaginem que vivem na Tróia de Homero e, num dado dia, após 10 anos de guerra, encontram um enorme cavalo de madeira estacionado às portas da vossa cidade. Não se esqueçam de ter em conta que esse cavalo é tão grande que, no mínimo dos mínimos, cabem lá dentro dez homens. Ao lado dele está um homem que vos assegura, repetidamente, que é totalmente seguro levarem um tal prodígio para o interior das muralhas da cidade. O que fariam?

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A história de Floris e Brancaflor parece ter sido uma das mais populares na Idade Média, com os seus amores a serem até imortalizados em várias outras obras. Mas se nessa obra o episódio dos confrontos de xadrez entre Floris e o guarda da torre que aprisiona Brancaflor, representado na imagem acima, até tem uma maior importância, existe uma referência na trama que, para os amantes dos antigos mitos, não poderá deixar de ser mencionada. Quando Brancaflor é vendida por dois mercadores, a sua beleza era tal que eles mereceram incontáveis recompensas em troca, uma das quais um copo de valor incalculável, assim descrito numa das versões do poema:

 

Vulcano tinha feito este copo, e nele tinha representado como Páris, filho de Príamo, rei de Tróia, tinha raptado Helena, e foi perseguido pelo raivoso Menelau, senhor de Helena, juntamente com o seu irmão Agamémnon, ao comando de um poderoso exército; e como os Gregos cercaram e atacaram a cidade de Tróia, que os Troianos defenderam, e quando a cidade foi tomada Eneias trouxe o copo e deu-o ao irmão da sua amada Lavínia.

 

São diversas as questões que este invulgar copo nos pode suscitar, mas ele é, mais que tudo o resto, uma recordação dos mitos de Tróia em plena Idade Média. É uma invenção completamente medieval, até porque normalmente Eneias escapa da cidade em chamas apenas com o pai ás costas e o filho pela mão, mas não deixa de ser um elemento que, na história deste Floris e da sua Brancaflor, nos remete para conquistas de outros tempos.

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Euplanes era um menino de Epidauro que, aparentemente, sofria de pedras nos rins. Com vista à solução do seu problema dormiu num templo de Apolo. Nessa noite o deus apareceu-lhe em sonhos e perguntou-lhe "Euplanes, o que me dás se eu te ajudar?", ao que o rapaz respondeu "dez dados!" Inesperadamente, o deus riu-se e disse-lhe que o seu problema seria resolvido. Na manhã seguinte o menino saiu do templo e foi curado.

 

Esta história é mencionada numa gravação presente num templo do deus Apolo. O seu elemento mais curioso é o facto do deus se rir quando confrontado com a oferta do menino. Os "dez dados" aqui oferecidos são o equivalente a uma criança dos nossos dias abordar um médico e lhe dizer que em troca de uma cura lhe dava dez brinquedos; é uma oferta, sim, mas presume-se que nem o deus nem um médico tenham qualquer uso real para ela. E, ainda assim, a compaixão divina falou mais alto e curou a criança - será que um médico dos nossos dias também faria o mesmo?

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