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Como já dito anteriormente, algumas das questões que os leitores põem ali na secção de pesquisa são tão interessantes que nos deixam a pensar. Por isso, no futuro tentaremos responder a algumas delas. Ontem, por exemplo, um leitor pôs aqui uma potencial questão - [será que] Agamémnon matou a sua filha? A resposta é mais complicada do que poderá parecer à primeira vista.

 

Por um lado, nos Poemas Homéricos e em algumas tragédias é dado a entender que a morte de Ifigénia foi uma das razões para o ódio que Clitemnestra tinha pelo seu marido, levando-a a matá-lo após o final da Guerra de Tróia. Mas, por outro lado, algumas versões mais recentes do mito, e em particular a tragédia Ifigénia na Táurida, dizem que a filha de Agamémnon foi salva pela mesma deusa a quem ia ser sacrificada, tornando-se depois sacerdotista de um dos seus templos.

 

Mas então, será que Agamémnon matou realmente a própria filha? No contexto do mito de Tróia, a resposta mais importante é que ele pensou tê-lo feito. Clitemnestra, Aquiles, e as outras principais personagens da trama também pensaram o mesmo, e é nesse elemento crucial que vão assentando as consequências da sua acção. Mesmo que a filha não tivesse sido sacrificada, o pai demonstrou uma clara e inegável intenção de o fazer - e essa intenção, por si só, é o que condiciona toda a trama futura.

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Existem alguns momentos estranhos na criação deste espaço. Aqueles que, de tempos a tempos, até nos fazem rir um pouco, pela sua singularidade. Este é, de certa forma, um deles.

 

O dicionário da Priberam diz-nos que a palavra menopausa tem por origem dois vocábulos gregos, "menós" e "pausa", sendo que o primeiro significava mês (o segundo tem o mesmo significado que nos nossos dias). A situação ficaria por aqui, não fosse o facto de Varrão nos informar que Júpiter também tinha uma filha chamada Mena. A que presidia ela? Ao fluxo menstrual, juntamente com a nora, Juno (infelizmente, desconhecemos a identidade da mãe).

 

Não somos informados de qualquer mito associado a Mena, mas é sem dúvida possível que a menopausa tenha recebido essa designação por marcar o término da influência desta deusa. Ou então, que a própria deusa tenha obtido o seu nome do conceito grego. Em qualquer dos dois casos, não deixa de ser uma ideia que fascina, pelo facto de muitos vocábulos dos nossos dias ainda esconderem antigos deuses no seu interior...

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Estatuetas dos deuses gregosProvavelmente na sequência de jogos como God of War, já muitos foram os leitores que procuraram neste espaço mitos relativos à morte dos deuses gregos. A famosa morte de Zeus já aqui foi falada há muitos anos, mas achámos que já era hora de responder a essa pergunta - afinal de contas, como morreram os deuses gregos?

 

Para responder a essa questão importa, antes de tudo o resto, saber dividir o panteão grego em três grupos diferentes, cada qual com as suas características e destinos bem diferentes.

 

Em primeiro lugar surgem aquelas divindades que são completamente eternas, até pelo facto de a sua presença nos mitos ser muito limitada ou quase inexistente. Figuras como o Caos e Gaia (da Teogonia de Hesíodo), o Motor Imóvel de Aristóteles ou, de um modo mais geral, todas aquelas figuras anónimas por detrás da criação dos vários universos gregos e romanos, nunca morrem, até porque a sua existência é quase puramente etérea.

 

Num segundo lugar poderíamos colocar os mais famosos deuses, figuras como Zeus, Atena, Ares, Afrodite ou Apolo. Quase todos os mitos que temos se referem a eles como imortais, eternos, as únicas entidades que nasceram mas que nunca irão morrer. Porém, o nosso "quase" tem uma forte razão de ser - de acordo com ideias como as de Evémero, nada de divino existia nessas figuras, tratando-se apenas de seres humanos que após a morte, por uma ou outra razão, foram divinizados por aqueles que os conheceram. E, como tal, se quisermos acreditar nessas teorias (de que o exemplo particular de Dioniso é digno de nota - Dinarco até afirma que ele tinha morrido em Argos e sido sepultado em Delfos), os deuses gregos só se tornaram divindades quando o seu corpo físico faleceu, sendo eternos somente na cabeça daqueles que os veneravam como tal.

 

Em terceiro, e último, lugar, poderão então ser colocados alguns dos heróis gregos. Acreditando-se que existiram na carne, só depois da morte física - e somente em alguns casos, frise-se essa excepção - é que foram tornados divindades, às quais alguns crentes prestavam culto. São muito famosos os casos de Herácles e de Aquiles, mas algo de semelhante se passou com Castor e Pólux, Anfiarau, etc. E, nestes casos, a morte (física) naturalmente que precede a própria conversão à forma de deuses, altura em que estas figuras desaparecem quase completamente dos mitos.

 

Então, sumariamente, como morreram os deuses gregos? Não é uma questão simples, mas uma que só pode ser resolvida tendo em conta os elementos muito específicos de cada figura divina. O destino final de Phobos e Deimos, de Hermes e Poseidon, ou até de Mémnon e Ceneu, não podem ser vistos de uma forma brevemente horizontal. Por exemplo, que deus nos poderia parecer mais imortal do que Hades, figura tutelar dos mortos e do submundo? E, ainda assim, Pseudo-Clemente, na sua quinta epístola, refere um túmulo deste deus próximo do Lago Aquerúsia, em Itália...

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Possível imagem do Oráculo de Dodona nos nossos dias

Hoje, decidimos trazer uma publicação um pouco diferente do que é habitual. O Oráculo de Dodona já era conhecido nos tempos homéricos, mas hoje em dia é considerado secundário face ao de Delfos; porém, a ideia essencial por detrás de ambos é semelhante, eram ambos locais em que os crentes podiam fazer perguntas aos deuses e obter respostas divinas. Se em Delfos o deus consultado era Apolo, já aqui o grande interveniente era o pai de todos os deuses, Zeus, que supostamente revelava o futuro através dos movimentos da sua árvore sagrada, o carvalho.

 

Mas agora, por um breve momento, ponha-se uma pequena questão aos leitores. Se tivessem essa possibilidade de saber o futuro, que questões colocariam vocês aos deuses? Será que as vossas perguntas seriam diferentes das que foram efectivamente colocadas a Zeus? Agora, poderão ver aqui cinco pequenos exemplos, provindos de uma edição de Dittenberger disponível gratuitamente online:

 

 

O que estes exemplos nos permitem constatar é que a curiosidade relativa ao futuro, que a humanidade teve e continua a ter, se prende com elementos estáveis da sua existência - questões monetárias, incertezas amorosas, problemas de saúde e outras decisões que têm um grande impacto nas nossas vidas. Talvez não sejamos assim tão diferentes dos Antigos Gregos...

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Putin catching the Ceryneian Hind

No próximo dia 30 de Março a Universidade de Leeds, no Reino Unido, terá um evento relacionado com os 12 Trabalhos de Hércules, em que irão apresentar algumas "novas" versões dos trabalhos originais, bem como possíveis trabalhos que o herói poderia fazer nos nossos dias. É provável que poucos leitores tenham o tempo necessário para lá ir, mas na página do Be Curious 2019 todos poderão encontrar alguns recursos interessantes ligados ao mesma tema, desde pinturas dos vasos gregos até imagens mais modernas dos mesmo trabalhos, juntamente com sugestões de trabalhos alternativos. É uma página muitíssimo interessante, até para os mais novos!

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Exemplo de um mito

Clicando na imagem acima poderão aceder a alguns exemplos de trabalhos que foram feitos por alunos do Colégio Santa Doroteia de Porto Alegre (Brasil). É uma ideia interessante, e que certamente irá fomentar o gosto pela Mitologia nos mais novos!

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O mito de Areito

15.03.19

Imagem de alguém que claramente não era Areito

O mito de Areito é daqueles aos quais apenas temos uma brevíssima alusão na Ilíada, mas que também não nos chegaram em qualquer outra fonte.

É-nos então relatado que ele usava uma clava de ferro para derrotar os seus opositores; o que um tal Licurgo da Arcádia fez para o derrotar foi pura e simplesmente conduzi-lo a um defiladeiro apertado, onde este não podia usar a clava em seu favor, e depois facilmente o derrotou.

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