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Este soneto merece uma explicação um pouco maior, já que se refere, inicialmente, a um mito pouco conhecido. Antes de chegarem a Tróia os Gregos atacaram várias cidades. Uma delas foi aquela sobre a qual Télefo reinava; este rei defrontou em combate Aquiles, que o feriu com a sua famosa lança. Contudo, com o passar do tempo essa ferida não curava... em busca de uma resposta, o monarca foi a Delfos e o famoso oráculo revelou-lhe que esta só podia ser curada com a mesma lança com a causou. Seguindo essa indicação o herói é posteriormente curado, de uma forma que não é muito clara nas versões que nos chegaram; também o sujeito poético aqui esperava ser curado pela visão de sua amada, como o poema nos diz:

 

Ferido sem ter cura perecia
O forte e duro Télefo temido
Por aquele que na água foi metido,
E a quem ferro nenhum cortar podia.

Quando ao apolóneo oráculo pedia
Conselho para ser restituido,
Respondeu-lhe, [que] tornasse a ser ferido
Por quem o já ferira, e sararia.

Assim, Senhora, quer minha ventura;
Que ferido de ver-vos claramente,
Com tornar-vos a ver o Amor me cura.

Mas é tão doce vossa formosura,
Que fico como o hidrópico doente,
Que bebendo lhe cresce maior secura.

 

(Soneto LXIX)

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Diversas são as fontes da Antiguidade que nos contam algo curioso - existiam em terras da Lusitânia éguas que engravidavam somente por causa dos ventos. O episódio é localizado perto de Olisipo e do Rio Tejo; Varrão coloca-o no "Monte Tagro", Columela diz que o local era o "Monte Sagrado", enquanto que as fontes posteriores nada de muito útil adicionam em relação ao local em que tamanho prodígio tomava lugar. Onde seria? É provável que se tenha tratado de Sintra, até pelas enormes ventanias que existem próximas dessa serra. Mas, ainda assim, ninguém parece ter uma absoluta certeza... mas isso bem justificaria a sua fama!

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Incêndio de Tróia

Na imagem acima pode ser vista uma pintura representando a queda de Tróia que é hoje pertença da Biblioteca Nacional de Portugal (mais informação pode ser lida clicando na imagem), e que parece ser datada do século XVII. O que ela tem de especial é mesmo o facto de representar a queda da cidade recorrendo aos seus elementos mitológicos mais famosos:

  1. A torre da cidade, onde ocorreram diversos diálogos e de onde Astíanax foi atirado.
  2. As famosas muralhas que protegiam Tróia.
  3. O Cavalo de madeira, usado pelos Gregos para a invasão da cidade.
  4. (Provavelmente) O templo em que estava guardado o Paládio.
  5. Os esgotos da cidade, por onde Ulisses entrou aquando do roubo do Paládio.
  6. Eneias, com o pai às costas e o filho a seu lado.
  7. O barco que Eneias irá tomar para escapar de Tróia.
  8. Um enorme edifício em chamas, podendo tratar-se do palácio real.

 

Esta é uma representação da queda de Tróia tal como esta acontecia na Eneida, focando-se mais na dor dos derrotados do que na felicidade dos vencedores. Os Gregos, esses, remetem-se a meros vultos que saem do cavalo, como que anunciando, desse lado esquerdo, a destruição posteriormente concretizada no resto da pintura. É um quadro repleto de significado, de que esperamos que gostem!

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Cão a cheirar o rabo de um companheiro

Quem tiver cães certamente que já os viu a cheirarem os rabos alheios... mas porque o fazem? Quem nunca se interrogou sobre esse invulgar comportamento?

 

Essencialmente, contam-nos as fábulas de Fedro que, numa dada altura, os cães enviaram uma embaixada ao pai dos deuses, procurando uma vida melhor para a sua espécie. Porém, quando estes embaixadores viram os deuses com os seus próprios olhos, "descuidaram-se".

Passado algum tempo, e sem que voltassem a ver os embaixadores originais, os cães decidiram enviar um segundo grupo aos deuses. Para impedir que o mesmo voltasse a acontecer, colocaram perfumes nos traseiros dos embaixadores; mas também a nova embaixada, quando viu o poder e o horrendo som dos relâmpagos de Júpiter, fez o mesmo, deixando não só os seus dejectos mas também o perfume no local.

Júpiter, zangado, decidiu então que os cães iriam manter a vida que tinham, ou seja, que iriam passar muita fome, de forma a que não tornassem a cometer o mesmo erro que duplamente tinham feito.

 

Porque cheiram então os cães os rabos alheios? Segundo Fedro, fazem-no provavelmente na esperança de que, quando vêem um cão que nunca viram antes, reconhecerem-nos como parte dos potenciais embaixadores que enviaram aos deuses, e dos quais ainda esperam vir a ter notícias.

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Imagem de uma oliveira

Esta pequena história dos deuses provém das fábulas de Fedro.

 

Conta-nos então esse autor que, um dado dia, os deuses do Olimpo decidiram escolher as suas respectivas árvores - Júpiter escolheu o Carvalho, Vénus a Murta, Febo Apolo o Loureiro, Cibele o Pinheiro e Hércules o Choupo. São, todas elas, árvores que não dão fruto, o que levou Minerva a perguntar-se sobre a razão para tal; Júpiter, seu pai, respondeu-lhe que assim não venderiam as suas honras em troca das frutas. A ele, a deusa retorquiu que, ainda assim, a Oliveira (vista na imagem acima) lhe era mais cara em virtude do seu fruto.

 

A verdadeira moral da história provém dos próprios lábios de Júpiter - "Ó filha, é com justiça que és chamada sábia por todos; pois, a não ser que o que fazemos for útil, vã é a nossa glória".

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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