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Há cerca de oito anos foram aqui deixadas algumas linhas sobre a distinção entre os "daemones" e os demónios. Uma "brincadeira" mais recente capta, de uma forma imperfeitamente jocosa, a ideia:

Se esta era, realmente, uma das visões antigas do conceito de "daemon", há que tornar a frisar que não representa toda a realidade, já que a ideia foi sendo alterada ao longo dos séculos. Ainda assim, a possibilidade contida nestes quadradinhos dá para sorrir um pouco...

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Ultimamente vários visitantes têm procurado por cá informações sobre a aparência física de Aquiles. A questão provavelmente virá de uma série da BBC, "Troy: Fall of a City", em que o herói é representado com pele escura. Mas será que ele tinha mesmo essa ascendência africana, ou era branco e loiro, como no filme "Troy"?

João Tzetzes, no século XII, incluiu nos seus trabalhos [dos quais já aqui publicámos uma tradução] a descrição de algumas das figuras mais importantes dos épicos homéricos. Entre eles encontra-se, naturalmente, Aquiles, em relação a quem é dito que era alto, branco e de cabelos loiros. Momentos depois, sobre Pátroclo é dito que este também tinha cabelos loiros, mas pele avermelhada (provavelmente por passar menos tempo abrigado do sol), dificultando que algum dos dois fosse africano.

 

Mas estava João Tzetzes correcto? Que fontes utilizou para obter essa informação? Nem sempre é fácil sabê-lo, até pela existência de discrepâncias em várias das suas fontes, mas é inegável que o primeiro livro da Ilíada define o cabelo do herói como "ξανθή / xanthē", que pode ser traduzido como loiro. Mas se também essa prova não fosse suficiente, o herói é frequentemente representado em mosaicos com uma tez inegavelmente branca; em relação a vasos, no entanto, o caso não é tão simples, já que até a pele do etíope Mémnon por vezes se confunde com a de todas as figuras europeias.

 

Assim se poderá concluir que o Aquiles homérico tinha cabelos loiros, sendo também quase certamente branco. Por essa razão, o herói, tal como é representado na série da BBC, não corresponde à figura imaginada por Homero, mas devemos relembrar que não tem de o fazer. A cor da pele do herói, seja ela qual tenha sido, é muito menos importante do que as suas aventuras.

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Este é um daqueles mitos que indubitavelmente tem um fundo de verdade. Sabemos que um tal Aristeas, nativo da ilha de Proconeso, existiu e escreveu um poema chamado Arimaspea, brevemente citado tanto por Longino como por João Tzetzes. Porém, pela sua natureza é improvável que a história contada por Heródoto seja igualmente verdade.

Heródoto conta-nos então que este Aristeas entrou numa loja, caiu para o lado e morreu. O dono da loja provavelmente ficou em pânico e foi contar aos familiares do (potencial?) defunto o que se tinha passado, mas.. quando voltaram ao local, o corpo de Aristeas não estava lá. Dias depois, um viajante disse que Aristeas não podia estar morto, já que o tinha visto num outro local e até falou com ele.

Estranhamente, Aristeas voltou à sua cidade-natal passado sete anos (a história não nos relata se os familiares lhe deram uma tareia pela sua repentina ausência...), altura em que supostamente escreveu a Arimaspea (provavelmente um relato das suas aventuras), antes de tornar a desaparecer. Posteriormente, é-nos dito que ele reapareceu mais de duas centenas de anos depois, mas se se tratava do mesmo Aristeas... ninguém sabe, tendo "ele" supostamente revelado que andava a viajar sob a forma de um corvo com o deus Apolo.

 

Onde termina então a verdade e começa a ficção neste mito? Não pode ser totalmente falsa, esta história, porque a Arimaspea existia e até Longino a elogia. Mas terá ele mesmo desaparecido por sete anos? Quem era a misteriosa figura que foi vista passado dois séculos? A perguntas como estas provavelmente nunca teremos uma resposta...

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Hipátia de Alexandria foi provavelmente uma das mais famosas filósofas da Antiguidade. Uma das suas histórias diz-nos até que, ao ser confrontada com o amor de um aluno,o tentou afastar pela música, e depois mostrando-lhe algo semelhante a um penso higiénico usado, dizendo-lhe que era isso que ele amava e que nada de belo tinha - a vergonha levou-o a afastar-se das suas intenções originais.

 

Não sabemos muito mais sobre esta figura, salvo o facto de ter sido morta pelos cristãos, não porque tenha feito algo de mal, mas - diz-nos pelo menos uma fonte - pela inveja de Cirilo, patriarca de Alexandria, tinha da sua enorme fama. Então, foi violada, o seu corpo foi despedaçado e depois levado numa espécie de procissão doentia pela cidade.

 

Quem tiver mais curiosidade sobre esta história pode vê-la no filme Ágora de 2009.

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Este é um mito tão invulgar quanto obscuro, mas provalvemente também um pouco inapropriado para os mais novos - perdoem-nos os pais, familiares, encarregados de educação e pessoas com papéis semelhantes. Deixado este aviso, continuamos então com a trama do mito.

 

Numa dada altura Dioniso procurava a entrada para o reino de Hades, de forma a trazer de volta a sua mãe. Incapaz de encontrar esse local, acabou por se cruzar com um pastor de nome Prosimno. Este acedeu a ajudá-lo, desde que o deus fizesse amor com ele. Por motivos de tempo, Dioniso acedeu a este pedido mas com a contingência de que aguardassem até ao seu retorno. Porém, quando o deus voltou ao mundo dos vivos Prosimno já tinha morrido. Então, construiu um enorme falo de madeira, colocou-o sobre o túmulo do pastor e cumpriu a sua promessa.

 

Tome-se em atenção que nenhum autor nos conta esta história por completo, sendo apenas inferida do cruzamento de várias fontes. Ainda assim, não deixa de ser curiosa ao ponto de merecer ser mencionada por cá - o que vos parece? Já conheciam?

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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