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David e Golias

Se já cá falámos de diversas origens, esta apresenta-se como potencialmente mais simples que as anteriores. Desde o Golias do Antigo Testamento, até aos muitos gigantes das histórias de cavaleiros e donzelas, passando pelos Γίγαντες dos mitos gregos e latinos e alguns Jötnar nórdicos, quase todas as mitologias e religiões fazem referência à existência de "gigantes", seres que são quase como nós mas de maior estatura. Por isso, de onde vem essa ideia? Será que eles realmente existiram, num tempo já há muito passado?

 

A resposta pode ser tanto positiva como negativa. Sempre existiram seres humanos de estatura maior que o normal (por exemplo, Robert Wadlow, o maior homem de que temos registo, tinha 2.72m de altura), mas a ideia também parece provir da descoberta de diversos esqueletos de dinossauro. Eles existem por todo o mundo e sabemos que uma confusão de identificações teve lugar ao longo dos séculos.

Por exemplo, são diversas as fontes gregas e latinas que atestam que, após um terramoto, foram encontrados esqueletos enormes no interior do solo, que vão sendo identificados como heróis do passado (sempre de grande estatura!), ou como monstros serpentinos (e.g. aquele que Perseu derrotou para salvar Andrómeda).

Face a identificações como essas, torna-se fácil conseguir acreditar que algo de semelhante possa também ter tido lugar noutras culturas, levando a uma crença intercultural relativa a um tempo em que estes supostos gigantes viviam quase lado-a-lado com seres humanos como nós.

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Manuscrito aleatório

Este pequeno mito, ou lenda, já só nos chegou numa versão cristã, o que, curiosamente, aqui ainda contribui mais para o seu interesse.

 

Eric decidiu ir procurar o mítico Údáinsakr, uma espécie de paraíso terreno. Nessa sua busca acabou por chegar a Constantinopla, onde pôs algumas questões ao rei local [o Imperador?] e se converteu à religião cristã. Ainda assim, decidiu que a sua viagem ainda não tinha terminado e continuou a procurar o seu objectivo inicial em terras da Índia. Acabou por encontrar uma enorme serpente, e quando a atacou foi transportado, miraculosamente, para o local que procurava. Depois de constatar os prodígios que aí existiam, falou com um anjo, que lhe revelou que por muito fantástico que o local fosse, o Paraíso do Deus cristão ainda era melhor. Eric decidiu então voltar a casa, para poder contar aos outros tudo aquilo que tinha visto.

 

O mais curioso de toda esta história é, sem qualquer dúvida, a forma como as crenças ditas pagãs e as cristãs se intersectam, mas de uma forma que as segundas se apresentem sempre como superiores às primeiras. A forma como a trama está estruturada leva-nos a crer que foi composta para uma audiência pagã, prestes a ser ensinada nos preceitos da fé cristã (uma introdução para a qual as perguntas feitas ao rei de Constantinopla até são perfeitas), devendo estes ficar com a ideia final de que as suas antigas crenças nada ficavam a dever às da nova religião - face a isso, seria absurdo não se converterem, e é até provável que muitos o tenham feito!

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Também conhecido como Ratatoskr, este esquilo tem nos mitos nórdicos a tarefa de transportar mensagens entre uma águia, que vivia no topo da árvore Yggdrasil, e o dragão/cobra Nidhogg, que vivia entre as raízes do mesmo local. Pouco mais nos é contado sobre esta criatura mitológica, mas merece ser referida por ser um dos poucos esquilos existentes em mitos europeus. Presume-se, ainda assim, que ele tenha sido muito menos fofinho do que o representado na imagem acima.

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Na Edda Poética, de que aqui falámos há alguns dias, surgem os seguintes versos:

 

A árvore Yggdrasil

É a melhor das árvores.

Skithblathnir é o melhor navio,

Odin o melhor deus,

Sleipnir o melhor cavalo,

Bifrost a melhor ponte,

Bragi o melhor poeta,

Habrok o melhor falcão,

Garm o melhor cão.

 

A existência de uma lista desta natureza, de valor canónico, levanta questões. Se faz todo o sentido que a gigantesca árvore seja a melhor do seu reino, que um navio pertencente aos deuses seja fantástico, que um cavalo de oito patas tenha especial valor, ou que o deus da poesia seja o melhor na sua arte, como escolher o melhor deus, a melhor ponte, ou o melhor de dois outros animais? Que critérios terão existido? Serão eles objectivos ou, como no caso de Habrok (em relação ao qual quase nada sabemos), dever-se-ão somente a tradições já há muito esquecidas? Fica a questão - como definir "os melhores" em alguma coisa?

 

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Sucintamente, nos mitos nórdicos Gleipnir era uma espécie de trela que prendia o lobo Fenrir (visto acima já agrilhoado), até ao momento do fim dos tempos. Isto absolutamente nada teria de especial, nem sequer seria mencionado por cá, não fossem os estranhos ingredientes com que foi construída:

 

  • O som da queda de um gato;
  • A barba de uma mulher;
  • As raízes de uma montanha;
  • Os nervos de um urso;
  • A respiração de um peixe;
  • O cuspo de uma ave.

 

A dificuldade de arranjar todos estes ingredientes até é parcialmente gozada no Gylfaginning, dando-nos a entender a falta de realismo de todos estes pedidos, mas acaba por ser mesmo esse aspecto invulgar que merece referência aqui. Se a barba de uma mulher, ou os nervos de um urso, nem são hoje assim tão difíceis de arranjar, fica aqui um pequeno convite aos leitores - como conseguiriam arranjar os restantes ingredientes? Alguma ideia?

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Baldur, também conhecido como Baldr ou Balder, poderá até ser um dos deuses mais famosos do panteão nórdico, na medida que a sua morte acabou, de alguma forma que não é muito explícita, por levar ao Ragnarök. Mas como morreu o deus?

 

A história começa com Baldur a ter um conjunto de sonhos alusivos à sua própria morte. Assustado com essa possibilidade, confrontou os outros deuses com o que se passava e estes fizeram com que (quase) tudo o que existia prometesse não magoar este deus. Depois, de uma forma que devemos considerar hoje um pouco absurda, juntaram-se todos e, numa espécie de brincadeira festiva, decidiram atirar coisas a Baldur, já que este não poderia vir a sofrer qualquer mal.

 

Entretanto, o traiçoeiro Loki investigou tudo isto e acabou por descobrir uma pequena falha nas promessas dos seres vivos - uma pequeníssima planta, o visco [mais conhecida entre nós pelo seu nome inglês, "mistletoe"], nada tinha prometido, por parecer demasiado inofensiva. De uma forma dificil de perceber, este deus fez então uma lança com essa planta e entregou-a a Hoder, o cego irmão de Baldur, para que este a atirasse, tal como os outros deuses estavam a fazer. Quando o fez, matou, acidentalmente, o próprio irmão.

Mas a história não termina por aqui. Dirigindo-se à deusa dos mortos, Hel, Odin pediu que Baldur fosse trazido de volta ao mundo dos vivos. Esta aceitou o pedido, pondo apenas uma pequena condição - todos os seres vivos teriam de chorar pelo deus. E (quase) todos o fizeram, salvo uma única excepção, a de uma velhota que pareceu preferir afastar-se de todo o assunto (mas que até poderá ter sido Loki disfarçado). Por isso, Baldur iria continuar morto.

 

Este mito nórdico apresenta-nos algo de muito invulgar, a morte de um deus, episódio sem paralelo nos mitos dos gregos e romanos. De facto, a trama até nos permite compreender um conjunto de características dos deuses nórdicos, entre elas a sua mortalidade, o facto de não serem omnipotentes nem omniscientes, mas, talvez mais que tudo o resto, o facto de serem tão falíveis e imperfeitos como os próprios mortais. Posteriormente, até acabarão por se vingar de Loki, mas essa é uma espécie de sequela deste mito que ficará para outro dia.

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Aqui fica um outro vídeo, em Inglês, este sobre os deuses de Asgard.

(Legendas automáticas para o vídeo podem ser activadas clicando na roda dentada)

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