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A morte de Adónis

A paixão de Afrodite pelo belo Adónis é provavelmente um dos mais famosos mitos da Antiguidade. Também o é o desfecho de toda a história, em que o belíssimo jovem é morto por um javali, mas muito mais inesperado é o breve tratamento que este pequeno poema dá ao tema (pode ser lido, em grego e inglês, aqui). Nele, a deusa do amor manda capturar o javali, provavelmente com vista a fazê-lo pagar pelo seu crime; no entanto, o atemorizado animal explica-lhe que nada de mal desejava ao jovem, pedindo as maiores desculpas e dizendo que não queria mais do que acariciar aquele ser tão belo que tinha visto à sua frente, acabando por magoá-lo sem querer. Cheia de compaixão, a deusa perdoou o animal e deixou que este se juntasse ao seu séquito.

 

Face a uma tão invulgar versão deste mito, somos obrigados a interrogar-nos sobre as suas potenciais fontes. Seria esta uma invenção de um autor de identidade desconhecida, ou estava assente numa tradição a que já não temos acesso? Esta pequena sequência certamente que destoaria numa tragédia, sendo muito mais provável que, como no caso do porco que falou com Odisseu, se tenha tratado de uma sequência que não fazia parte do mito original.

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Imagem da peça

Esta comédia apresenta-nos um evento pseudo-mitológico - o dia em que Pluto, deus da riqueza, foi curado daquela famosa cegueira, a mesma que anteriormente o levava a recompensar os criminosos e a se afastar dos justos. Seguindo essas linhas, os delatores deixaram de ser recompensados, as ricas velhotas deixaram de ser amadas por jovens pobres, e muitas outras coisas que tais. Era esse um mundo muito mais justo do que aquele que temos agora? Certamente que sim, mas também um mundo com muitos problemas de outra natureza - como a deusa Pobreza aqui o argumenta pela sua própria voz. Por isso, é uma comédia que faz rir, mas que também nos dá bastante que pensar.

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Imagem de Porfírio

Cremos que todos temos alguns amigos que são muito "chatinhos" em relação aos detalhes de séries de televisão, livros e outras coisas que tais. O que Porfírio tenta fazer nesta obra é responder a todos aqueles que se interrogavam em relação a questões como essas, mas nos poemas atribuídos a Homero. Alguns exemplos de perguntas:

 

  • Porque diz Príamo que não tinha coragem para ver Alexandre e Menelau a lutarem um com o outro, mas não tem qualquer problema em ver o combate de Aquiles com Heitor, quando até amava ainda mais esse outro filho?
  • Porque havia no escudo de Aquiles uma camada de ouro?
  • Que espécie de águia foi enviada por Zeus num dado momento?
  • Como tinham os heróis tempo para conversar uns com os outros durante o combate?
  • Num dado momento, é dito que foi Apolo a dar o arco a Pândaro, enquanto que num outro é dito que este último o fez com o corno de uma cabra selvagem. Como são ambas as coisas possíveis?

 

Apenas para dar um exemplo de resposta, em relação a esta última pergunta Porfírio diz-nos que se tratava de uma metáfora; Apolo, enquanto criador original do arco, "dava-o" a todos aqueles que usavam esse instrumento bélico, enquanto que o arco específico de Pândaro tinha, efectivamente, sido criado por esse herói. É decididamente uma boa resposta, como muitas outras que ocupam o mesmo livro!

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Romano desconhecido

Chegaram-nos muitos outros trabalhos da autoria de Claudiano, mas no contexto deste espaço são especialmente relevantes dois deles, a Gigantomaquia e O Rapto de Proserpina. E agrupamo-los numa só menção por sofrerem de um problema essencial - apesar de ambos parecerem extremamente interessantes pelas linhas que nos chegaram também estão incompletos, possivelmente por morte do seu autor.

 

A Gigantomaquia, supostamente, iria falar da guerra em que os gigantes defrontaram os deuses. Em pouco mais de uma centena de versos chega-se ao momento em que Minerva derrota dois deles, surge um pedido de ajuda a Febo Apolo, mas o poema termina nessa altura.

O Rapto de Proserpina contém, de uma forma muito detalhada, as razões pelas quais o deus Plutão decidiu tomar para si uma esposa, e porque escolheu a filha de Ceres. O deus rapta-a, de uma forma belíssima, e leva-a de volta para o seu reino, onde a presença de uma nova rainha é extensamente celebrada. Ceres descobre, posteriormente, que a sua filha foi raptada, parte em busca dela, e... o poema termina, apesar da continuação do mito nos ser bem conhecida de outras fontes.

 

Se Claudiano até representou ambos os mitos de uma forma bela, o facto dos dois poemas se encontrarem incompletos é tão tantalizante como frustrante. Ainda assim, o poema do rapto da filha de Ceres merece ser lido, quanto mais não for pela forma detalhada como trata esse famoso episódio mitológico.

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Mégara no filme da Disney

Mégara é um pequeno poema de autoria desconhecida, mas que alguns estudiosos parecem atribuir a Teócrito. Nele, a esposa de Hércules e a respectiva mãe partilham as dores que sentem na ausência do herói. A primeira fá-lo por este ter morto os próprios filhos, enquanto que a segunda lamenta os temores do passado e as muitas tribulações pelas quais o filho agora passa. É uma pequena construção poética, de pouco mais de uma centena de versos, com um certo charme.

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Este espaço é da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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