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"Odes" de Píndaro

De entre as obras de Píndaro que nos chegaram, a principal é uma compilação alexandrina de 45 odes de vitória (ou "epinícios"). Não são, em si mesmas, obras puramente mitológicas, mas têm diversos elementos que não poderão deixar de interessar a quem gosta dos mitos gregos.

 

O poeta faz, aqui e ali, diversas alusões breves a bastantes mitos - "as clareiras de Pélops", "o companheiro de Iolau", "o glorioso túmulo de Anfitrião", etc. - mas também reconta, de uma forma mais alongada, vários episódios mitológicos. Pelo menos um deles, o de Iamo, parece só nos ser conhecido da Sexta Ode Olímpica, mas também aqui são contados episódios como os da morte de Neoptólemo (Sétima Ode Nemeia),  a partilha da imortalidade por Castor e Polídeuces (Décima Ode Nemeia), a construção das muralhas de Tróia (Oitava Ode Olímpiaca), o mito de Belerofonte (Décima-terceira Ode Olímpica), ou até o dos Argonautas (Quarta Ode Pítica), entre muitos outros.

 

De uma certa forma, esta obra é um pequeno tesouro de mitos gregos, tal como estes existiam por volta do século V a.C., e em que podem ser encontradas, aqui e ali, várias pérolas inesperadas.

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Banho-maria

Quem gosta de culinária certamente que já ouviu a expressão "banho-maria". O dicionário português da Priberam define-o como um "Líquido quente em que se mete um recipiente que contém aquilo que se quer aquecer", como pode ser visto na imagem acima. Mas, afinal de contas, de onde vem a expressão?

 

A "Maria" a que se refere o processo é uma personagem histórica conhecida como "Maria, a Judia", uma alquimista do primeiro século da nossa era e que, supostamente, o teria inventado. Pouco sabemos sobre essa figura, ou os seus ensinamentos, com a excepção do que está preservado num breve extracto conhecido como Diálogo de Maria e Aros sobre o Magistério de Hermes.

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É provável que tenham sido poucos aqueles que leram o Mahabharata nos nossos dias, até pela proibitiva extensão da obra, mas esse épico em sânscrito tem diversos momentos que dão muito que pensar. Aqui fica uma breve sequência que discutíamos há alguns dias:

 

  • Quem é realmente feliz?

Aquele que tem poucos meios mas nenhumas dívidas; esse é um homem verdadeiramente feliz.

  • Qual é a coisa mais espantosa?

Dia após dia e hora após hora as pessoas morrem e os corpos são levados, mas os espectadores nunca se parecem aperceber que também eles irão morrer algum dia, e parecem pensar que irão viver para sempre. Esta é a coisa mais espantosa do mundo.

 

Momentos como estes, que pouco ficam até a dever à Filosofia dos Gregos, repetem-se uma e outra vez nesta obra. Claro que não é um épico simples, que possamos simplesmente abrir e ler como quem lê um ténue romance, mas é, indisputavelmente, uma obra cujos infindáveis momentos filosóficos nos deixam, uma e outra vez, a pensar. E, neste nosso mundo de hoje, quantos mais momentos de reflexão nos faria bem acrescentar aos nossos dias?!

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Diálogo

Hoje em dia, aqueles que seguem as mensagens do Cristianismo tendem a esquecer-se, talvez até em demasia, que essa religião provém do Judaísmo. É uma espécie de sequela. Mas, devido a essas origens, existiu um tempo em que havia uma necessidade de discutir a ligação entre ambas, e que até já aparece representado nas epístolas hoje presentes no Novo Testamento. Foi nesse contexto que, ao longo dos primeiros séculos da nossa era, foram surgindo diversos diálogos em que as duas religiões eram opostas uma à outra, normalmente de forma a fazer uma apologia da nova religião, tentando obter novos conversos entre os judeus.

 

Se existem vários diálogos desta natureza - na pesquisa para este artigo tivemos acesso a cinco - aqui falamos, em específico, do Diálogo de Timóteo e Áquila pelo facto de se tratar do mais interessante exemplo deste género literário na Antiguidade. Existe uma breve trama em redor de todo o debate e o judeu, Áquila, até tem um papel activo. Claro que no final este acaba por ser converter ao Cristianismo - como não podia deixar de ser - mas, pelo menos, não se limita a aceitar impavidamente os ataques do opositor, apresentando visões e opiniões potencialmente reais.

 

O diálogo, em si, poderá parecer um pouco enfadonho para o leitor comum, mas gira em torno da interpretação e reinterpretação dos textos bíblicos. Vão sendo citados momentos do Antigo Testamento que o cristão usa em favor da sua religião, com o judeu a levantar algumas oposições. Inesperadamente, num dado momento é até explicado que existiam, sim, diferenças entre o AT cristão e o texto judaico, muitas vezes ao nível das previsões de vinda do Messias, mas que isso só acontecia porque Áquila [de Sínope, diferente da personagem judaica do texto] corrompeu algumas traduções gregas - mas essa é uma história que fica para outro dia.

 

No seu geral, este não é, como já foi dito, um diálogo particularmente interessante para o leitor comum, mas é-o certamente para quem tiver interesse na forma como as fés judaica e cristã se entrelaçavam nos primeiros séculos da nossa era.

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Um exemplo de papiro mágico egípcio

Na nossa cultura ocidental, eminentemente cristã, existe um certo tabu em relação ao acesso a um conjunto de conhecimentos supostamente místicos. Mas, ao mesmo tempo, certamente que vários leitores também têm curiosidade sobre o conteúdo de rituais como esses. Nesse sentido, o que hoje trazemos aqui é uma tradução de um ritual provindo de papiros mágicos gregos, que presumimos que ainda não exista em língua portuguesa e acessível ao público em geral. Aqui está descrita a fórmula basilar do ritual, mas onde está escrito "NOME" deveriam, naturalmente, ser adicionados os nomes das pessoas em questão.

 

Feitiço de atracção enquanto a mirra está a ser queimada. Enquanto a mirra está a ser queimada no carvão, recite a seguinte fórmula:

 

Páginas e páginas poderiam ser escritas em relação a este ritual, mas cingimo-nos aos elementos mais básicos - trata-se de um ritual de amor, em que o seu autor procurava causar a paixão amorosa de uma determinada mulher. Para tal, é invocada uma divindade, cuja influência sobrenatural é procurada por quem realiza todo o processo. Perto do final, estão até aqui presentes as chamadas "vozes mágicas", um conjunto de nomes e expressões sem tradução real e que, supostamente, eram segredos muito bem guardados, até porque sem eles a invocação nunca poderia funcionar.

 

Rituais como estes assentam sempre numa fórmula de duas partes, composta por algo que tem de ser feito (aqui, a queima da mirra) e por algo deve ser dito (a fórmula acima), pelo que os elementos aqui constantes ocorrem em muitos outros rituais, independentemente das mais diversas funções que pretendiam ter. Portanto, este é um digno representante dos feitiços criados na Antiguidade, e que esperamos que resolva essa curiosidade de muitos leitores em relação aos processos mágicos de outros tempos.

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Conta-nos a breve trama desta Tábua de Cebes que, um dia, alguns homens foram a um templo de Cronos e aí encontraram um ex-voto com uma imagem semelhante à mostrada acima (se carregarem na imagem poderão vê-la maior). Ficaram tão intrigados como o leitor provavelmente ficará, mas, felizmente, apareceu-lhes um idoso que foi capaz de lhes explicar toda a simbologia - trata-se de uma metáfora para a vida, cujos contornos seriam demasiado longos para explicar nestas breves linhas.

 

É, de facto, um texto interessante, apesar de parcialmente incompleto, e que parece captar perfeitamente aquele grande mistério que é a nossa vida. Fica, por isso, o nosso convite a que o original seja lido, até porque fazê-lo também não toma muito tempo e dá um bom fundamento para uma discussão filosófica.

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Este poema é essencialmente conhecido por ser o mais longo da Antiguidade escrito em Latim (obviamente que o épico de Nono de Panópolis tem maior número de versos, mas recorde-se que foi escrito em Grego), tendo por tema a Segunda Guerra Púnica. Por si só, este tema poderia parecer enfadonho para os leitores dos nossos dias, mas um dos seus aspectos mais interessantes é mesmo o facto de intersectar a Mitologia e os aspectos históricos da própria guerra nas mesmas linhas.

 

É, por exemplo, aqui dada bastante ênfase ao mito de Eneias e (Elisa) Dido, mas também através de elementos que nos são pouco conhecidos da Eneida de Virgílio. Também existem, aqui e ali, outras sequências mitológicas, muitas delas com menos desenvolvimento noutras fontes, como a do combate entre o herói Hércules e o gigante Anteu. É, por isso, um poema relativamente fácil de ler, mas também tão agradável como alguns dos relatos de Heródoto.

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