Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Diálogo

Hoje em dia, aqueles que seguem as mensagens do Cristianismo tendem a esquecer-se, talvez até em demasia, que essa religião provém do Judaísmo. É uma espécie de sequela. Mas, devido a essas origens, existiu um tempo em que havia uma necessidade de discutir a ligação entre ambas, e que até já aparece representado nas epístolas hoje presentes no Novo Testamento. Foi nesse contexto que, ao longo dos primeiros séculos da nossa era, foram surgindo diversos diálogos em que as duas religiões eram opostas uma à outra, normalmente de forma a fazer uma apologia da nova religião, tentando obter novos conversos entre os judeus.

 

Se existem vários diálogos desta natureza - na pesquisa para este artigo tivemos acesso a cinco - aqui falamos, em específico, do Diálogo de Timóteo e Áquila pelo facto de se tratar do mais interessante exemplo deste género literário na Antiguidade. Existe uma breve trama em redor de todo o debate e o judeu, Áquila, até tem um papel activo. Claro que no final este acaba por ser converter ao Cristianismo - como não podia deixar de ser - mas, pelo menos, não se limita a aceitar impavidamente os ataques do opositor, apresentando visões e opiniões potencialmente reais.

 

O diálogo, em si, poderá parecer um pouco enfadonho para o leitor comum, mas gira em torno da interpretação e reinterpretação dos textos bíblicos. Vão sendo citados momentos do Antigo Testamento que o cristão usa em favor da sua religião, com o judeu a levantar algumas oposições. Inesperadamente, num dado momento é até explicado que existiam, sim, diferenças entre o AT cristão e o texto judaico, muitas vezes ao nível das previsões de vinda do Messias, mas que isso só acontecia porque Áquila [de Sínope, diferente da personagem judaica do texto] corrompeu algumas traduções gregas - mas essa é uma história que fica para outro dia.

 

No seu geral, este não é, como já foi dito, um diálogo particularmente interessante para o leitor comum, mas é-o certamente para quem tiver interesse na forma como as fés judaica e cristã se entrelaçavam nos primeiros séculos da nossa era.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um exemplo de papiro mágico egípcio

Na nossa cultura ocidental, eminentemente cristã, existe um certo tabu em relação ao acesso a um conjunto de conhecimentos supostamente místicos. Mas, ao mesmo tempo, certamente que vários leitores também têm curiosidade sobre o conteúdo de rituais como esses. Nesse sentido, o que hoje trazemos aqui é uma tradução de um ritual provindo de papiros mágicos gregos, que presumimos que ainda não exista em língua portuguesa e acessível ao público em geral. Aqui está descrita a fórmula basilar do ritual, mas onde está escrito "NOME" deveriam, naturalmente, ser adicionados os nomes das pessoas em questão.

 

Feitiço de atracção enquanto a mirra está a ser queimada. Enquanto a mirra está a ser queimada no carvão, recite a seguinte fórmula:

 

Páginas e páginas poderiam ser escritas em relação a este ritual, mas cingimo-nos aos elementos mais básicos - trata-se de um ritual de amor, em que o seu autor procurava causar a paixão amorosa de uma determinada mulher. Para tal, é invocada uma divindade, cuja influência sobrenatural é procurada por quem realiza todo o processo. Perto do final, estão até aqui presentes as chamadas "vozes mágicas", um conjunto de nomes e expressões sem tradução real e que, supostamente, eram segredos muito bem guardados, até porque sem eles a invocação nunca poderia funcionar.

 

Rituais como estes assentam sempre numa fórmula de duas partes, composta por algo que tem de ser feito (aqui, a queima da mirra) e por algo deve ser dito (a fórmula acima), pelo que os elementos aqui constantes ocorrem em muitos outros rituais, independentemente das mais diversas funções que pretendiam ter. Portanto, este é um digno representante dos feitiços criados na Antiguidade, e que esperamos que resolva essa curiosidade de muitos leitores em relação aos processos mágicos de outros tempos.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Conta-nos a breve trama desta Tábua de Cebes que, um dia, alguns homens foram a um templo de Cronos e aí encontraram um ex-voto com uma imagem semelhante à mostrada acima (se carregarem na imagem poderão vê-la maior). Ficaram tão intrigados como o leitor provavelmente ficará, mas, felizmente, apareceu-lhes um idoso que foi capaz de lhes explicar toda a simbologia - trata-se de uma metáfora para a vida, cujos contornos seriam demasiado longos para explicar nestas breves linhas.

 

É, de facto, um texto interessante, apesar de parcialmente incompleto, e que parece captar perfeitamente aquele grande mistério que é a nossa vida. Fica, por isso, o nosso convite a que o original seja lido, até porque fazê-lo também não toma muito tempo e dá um bom fundamento para uma discussão filosófica.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Este poema é essencialmente conhecido por ser o mais longo da Antiguidade escrito em Latim (obviamente que o épico de Nono de Panópolis tem maior número de versos, mas recorde-se que foi escrito em Grego), tendo por tema a Segunda Guerra Púnica. Por si só, este tema poderia parecer enfadonho para os leitores dos nossos dias, mas um dos seus aspectos mais interessantes é mesmo o facto de intersectar a Mitologia e os aspectos históricos da própria guerra nas mesmas linhas.

 

É, por exemplo, aqui dada bastante ênfase ao mito de Eneias e (Elisa) Dido, mas também através de elementos que nos são pouco conhecidos da Eneida de Virgílio. Também existem, aqui e ali, outras sequências mitológicas, muitas delas com menos desenvolvimento noutras fontes, como a do combate entre o herói Hércules e o gigante Anteu. É, por isso, um poema relativamente fácil de ler, mas também tão agradável como alguns dos relatos de Heródoto.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Raposa e cão

São, cremos, 42 as fábulas que se apresentam na colectânea de Aviano, quase todas elas com morais já directamente associadas. Entre elas contam-se algumas bastante famosas, como a da cigarra e da formiga, e outras que, apesar de menos conhecidas, são igualmente belas. Parafraseamos uma das que nos pareceram mais interessantes:

 

Dois grandes amigos decidiram empreender uma grande viagem. Enquanto caminhavam por uma floresta, viram uma ursa a aproximar-se. Um deles rapidamente subiu a uma árvore, enquanto que o segundo, incapaz de o fazer, se deitou no chão e fingiu-se de morto. Aproximando-se, a ursa pareceu passar muito tempo perto dele, segredando-lhe até aos ouvidos. Depois, afastou-se. O primeiro amigo desceu da árvore e perguntou-lhe, de forma curiosa, o que a ursa lhe tinha dito. Nada de muito complicado, apenas "cuidado com aqueles que se afastam quando mais precisas deles".

 

Fica então essa fábula, e esse conselho, primeiro preservado nas linhas de Aviano.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Romano desconhecido

Com pouco mais de uma centena de versos, o poema A Fénix, da autoria de Claudiano, encontra-se completo. Porém, é uma composição indisputavelmente muito menos interessante do que a Gigantomaquia e O Rapto de Proserpina - descreve somente o pássaro a que damos o nome de "Fénix", tomando por guia as linhas de Heródoto. E somente isso, não apresentando sequer muito interesse para o tema, já que a mesma informação por ele apresentada está também presente em diversas outras fontes.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os símbolos místicos reproduzidos acima provêm de um texto chamado Oitavo Livro de Moisés, encontrado no século XIX mas provavelmente escrito ainda nos primeiros séculos da nossa era. O texto em questão, hoje incompleto (na edição a que tivemos acesso termina mesmo antes de explicar como invocar os mortos), contém um ritual mágico de invocação divina, que já apresentava muitos dos elementos que reaparecem em rituais mais recentes, com passagens como a seguinte:

 

Chamo o Teu Nome, o maior entre os deuses. Se o disser por completo, irá ocorrer um terramoto, o sol irá parar, a lua irá ter medo, e as rochas, montanhas, mares, rios, e todos os líquidos serão petrificados; todo o universo será lançado no caos.

 

No meio dessas invocações surgem duas teogonias muito semelhantes, que foram copiadas para o local por um evidente engano, até porque o ritual depois prossegue como se elas aí nem estivessem. Terá sido por isso que este texto foi descartado, sendo re-encontrado tantos anos depois? Não sabemos...

 

Uma última curiosidade - porquê "oitavo" livro? Cinco dos livros do Antigo Testamento são tradicionalmente atribuídos a Moisés, pelo que a atribuir-se um texto mágico ao mesmo autor teria de ser, pelo menos, o sexto. Não sabemos se existiu - um sexto e sétimos livros foram publicados no século XIX, mas são falsificações modernas - mas o título deste livro pode, de alguma forma, levar-nos a acreditar que sim, que numa dada altura até poderão ter existido três (ou mais) grimórios associados a esta figura bíblica.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog