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A história do Popol Vuh, por si só, daria tema suficiente para uma dezena de entradas por cá, mas decidimos cingir-nos somente aos elementos mais cruciais. Sabemos então que, na esperança de eliminar as antigas crenças dos Maias, os conquistadores vindos de Espanha decidiram, numa dada altura, queimar todos aqueles livros que foram encontrando na cultura maia, como ilustrado nesta belíssima imagem.

Destruição dos livros dos Maias

Um dos livros destruídos era um Popol Vuh. Contudo, para que a antiga cultura não se perdesse, alguém escreveu um outro livro, hoje conhecido (também) por Popol Vuh, mas com um conteúdo bastante diferente. Como chegou até aos nossos dias terá de ser uma história que fica para outra altura.

 

O que contém, então, a obra a que hoje ainda temos acesso? Trata-se de uma espécie de teogonia, desde a criação de tudo aquilo que existe até aos próprios dias dos seus autores e da presença espanhola no seu território. Apresenta algumas sequências verdadeiramente fascinantes, com eventos que pouco ou nada ficam a dever a romances medievais e a poemas como os de Hesíodo; entre eles contam-se até uma possível origem dos jogos da bola, então jogados com um crânio humano, e uma criação sequencial da humanidade que não pode deixar de nos fazer pensar no "Mito das Idades".

 

Esta é, por isso, uma obra crucial para quem estiver interessado nos antigos mitos da América do Sul, mas cujos vários paralelismos com os mitos europeus também nos podem dar muito que pensar...

 

(P.S.- Este pequeno artigo é dedicado a uma jovem de Porto Rico a quem tínhamos prometido que, um dia, também abordaríamos por cá alguns mitos sul-americanos)

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Também conhecida sob o nome de "A Batalha dos Gatos e dos Ratos", esta pequena obra satírica apresenta-nos uma batalha de vários ratos contra um gato, num estilo que é quase homérico, chegando a nela existir até referências notáveis a momentos da Ilíada e da Odisseia. Os deuses não estão muito presentes (aparecem, essencialmente, num sonho/profecia de um dos ratos e nas invocações que precedem o combate), mas esta obra do século XII merece ser mencionada é pelo seu carácter paródico. Não é única na literatura bizantina, mas é curioso exemplo do que aí foi sendo produzido ao longo dos séculos.

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Quando, numa qualquer série de televisão, as personagens são vistas durante um ritual mágico, normalmente desenham algo deste género:

Trata-se, essencialmente, de um círculo com alguns desenhos e escritos no seu interior, mas o que significa? Obviamente que nestas artes místicas muitas são as possíveis respostas, mas é disso que fala a obra Elementos Mágicos, de Pedro de Abano. Ele insta os leitores a desenharem um círculo, símbolo da unidade divina, no qual depois devem ser inscritos determinadas formas e palavras, que variam mediante o dia da semana e a hora em que o ritual é realizado. É uma obra pequena, mas com bastante informação interessante para quem quiser explorar temáticas como estas.

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Este pequeno livro de Miguel Pselo conta, de uma forma muito sucinta, como funcionam os daemones, e daí o seu título. É estruturado como um diálogo entre uma pessoa que sabe (indirectamente) o que está a dizer sobre esse tema e uma que parece querer aprender um pouco mais. Nada apresenta de muito complexo, mas contém alguma informação interessante para quem, como uma das personagens, quiser saber mais sobre como essas intervenções funcionavam. Por exemplo, como é feito um pacto com um daemon? Parafraseando a informação deste livro:

 

 

É um ritual macabro, horrendo, como o são quase todos do género, mas é mesmo esse aspecto assustador, ilegalmente transgressivo, que supostamente contribui para o seu poder. Felizmente a obra não contém muitos outros momentos tão chocantes como este, sendo uma boa fonte de informação sobre a forma como os daemones (que, aqui, até poderíamos traduzir já como "demónios") eram vistos no século XI. Ainda assim, convém que leitores mais sensíveis a evitem, por razões óbvias.

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O Malleus Maleficarum é provavelmente uma das mais famosas obras sobre bruxas. Foi inicialmente publicado em 1487, com o principal objectivo de detectar e proceder à destruição dessas figuras, objectivo que está bem patente na divisão tripartida da obra - uma primeira secção fala do conceito da feitiçaria e da forma como esta tem a capacidade de influenciar a vida humana, enquanto a segunda apresenta todas as estratégias usadas por essas figuras maléficas. A terceira, porém, é muito menos interessante para o contexto deste espaço, apresentando principalmente a forma legal como a Inquisição deveria lidar com as bruxas.

 

Se a primeira secção aborda a ideia de magia [negra] de um ponto maioritariamente teórico, será mesmo a segunda a parte mais interessante de toda a obra, demonstrando ao leitor tudo aquilo que as bruxas pareciam ter a capacidade de fazer em finais do século XV. Não só o autor explica os fundamentos por detrás das supostas capacidades, como também dá diversos exemplos de que parece ter ouvido falar. Isso acaba por ser bastante interessante e enriquecer o tema, fundindo uma espécie de discurso académico com situações muitas vezes totalmente inesperadas.

 

Para quem estiver interessado em temas relacionados com a feitiçaria, as duas primeiras sequências desta obra são de uma enorme importância. A terceira, no entanto, acaba por ser de valor secundário.

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Este espaço é da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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