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Tirant lo Blanc

Quando, na trama do Don Quixote, os familiares do herói queimam a sua colecção literária, entre eles encontra-se um Tirant lo Blanc, um romance medieval que pareciam ter em muito boa conta. É, contrariamente a alguns outros mencionados nessa mesma altura, uma obra real e um bom romance de cavalaria, mas a sua referência aqui deve-se, mais que tudo, a um momento que é particularmente digno de menção.

 

Pouco depois de encontrar o amor, Tirant passa por um quarto em que se encontram representadas as mais famosas histórias de amor da sua época - "Flóris e Brancaflor, Tisbe e Píramo, Eneias e Dido, Tristão e Isolda, Rainha Guinevere e Lancelot". A segunda e a terceira delas provêm da Antiguidade, nomeadamente de Ovídio e Virgílio, enquanto que as restantes três são, essencialmente, histórias puramente medievais, de que a de Lancelot e Guinevere é, muito provavelmente, a mais famosa nos nossos dias.

 

E assim, neste Dia de São Valentim, que também os leitores inscrevam as suas próprias histórias entre as das figuras acima - que homem não gostaria de ser Lancelot? Que mulher não desejaria ser amada como Isolda?

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De autoria desconhecida, mas muito provavelmente dos séculos VII ou VIII da nossa era, este não é, como o seu nome poderia dar a entender, somente um livro sobre "monstros". Em vez disso, pode até ser dividido em três secções diferentes:

 

  • Na primeira delas surgem os "monstros", no sentido de criaturas quase humanas mas pouco vulgares. Entre elas contariam-se, por exemplo, os Panotiis (um dos quais é visto na imagem acima);
  • Na segunda, surgem animais pouco vulgares. Curioso é o facto de nesta secção o autor "conseguir", de alguma forma, identificar criaturas mitológicas, como os touros que cuspiam fogo que aparecem no mito de Jasão e Medeia;
  • Finalmente, a terceira secção contém relatos de criaturas serpentinas, cada uma delas com suas características. Entre elas estão, por exemplo, as serpentes que saíram do mar e mataram Laocoonte e os respectivos filhos.

 

A apresentação desta obra é feita assim por uma razão muito especifica - o mais interessante em relação a este Liber Monstrorum, ou "Livro dos Monstros" é o facto de conjugar alguns relatos mitológicos com informação real. É um livro que num momento nos refere o hipopótamo tal como o conhecemos e, no instante seguinte, acrescenta que este animal é muito tímido e foge de quem o persegue até ao ponto de começar a suar sangue. Num instante está a falar de serpentes, no seguinte quase que consegue identificar - não fazemos ideia como - o animal de onde provinham os miraculosos dentes que geravam seres humanos, famosos dos mitos de Tebas e de Medeia. É, por isso, uma inesperada obra que funde mitos e realidade, de uma forma um tanto ou quanto complexa.

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A história do Popol Vuh, por si só, daria tema suficiente para uma dezena de entradas por cá, mas decidimos cingir-nos somente aos elementos mais cruciais. Sabemos então que, na esperança de eliminar as antigas crenças dos Maias, os conquistadores vindos de Espanha decidiram, numa dada altura, queimar todos aqueles livros que foram encontrando na cultura maia, como ilustrado nesta belíssima imagem.

Destruição dos livros dos Maias

Um dos livros destruídos era um Popol Vuh. Contudo, para que a antiga cultura não se perdesse, alguém escreveu um outro livro, hoje conhecido (também) por Popol Vuh, mas com um conteúdo bastante diferente. Como chegou até aos nossos dias terá de ser uma história que fica para outra altura.

 

O que contém, então, a obra a que hoje ainda temos acesso? Trata-se de uma espécie de teogonia, desde a criação de tudo aquilo que existe até aos próprios dias dos seus autores e da presença espanhola no seu território. Apresenta algumas sequências verdadeiramente fascinantes, com eventos que pouco ou nada ficam a dever a romances medievais e a poemas como os de Hesíodo; entre eles contam-se até uma possível origem dos jogos da bola, então jogados com um crânio humano, e uma criação sequencial da humanidade que não pode deixar de nos fazer pensar no "Mito das Idades".

 

Esta é, por isso, uma obra crucial para quem estiver interessado nos antigos mitos da América do Sul, mas cujos vários paralelismos com os mitos europeus também nos podem dar muito que pensar...

 

(P.S.- Este pequeno artigo é dedicado a uma jovem de Porto Rico a quem tínhamos prometido que, um dia, também abordaríamos por cá alguns mitos sul-americanos)

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Também conhecida sob o nome de "A Batalha dos Gatos e dos Ratos", esta pequena obra satírica apresenta-nos uma batalha de vários ratos contra um gato, num estilo que é quase homérico, chegando a nela existir até referências notáveis a momentos da Ilíada e da Odisseia. Os deuses não estão muito presentes (aparecem, essencialmente, num sonho/profecia de um dos ratos e nas invocações que precedem o combate), mas esta obra do século XII merece ser mencionada é pelo seu carácter paródico. Não é única na literatura bizantina, mas é curioso exemplo do que aí foi sendo produzido ao longo dos séculos.

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Quando, numa qualquer série de televisão, as personagens são vistas durante um ritual mágico, normalmente desenham algo deste género:

Trata-se, essencialmente, de um círculo com alguns desenhos e escritos no seu interior, mas o que significa? Obviamente que nestas artes místicas muitas são as possíveis respostas, mas é disso que fala a obra Elementos Mágicos, de Pedro de Abano. Ele insta os leitores a desenharem um círculo, símbolo da unidade divina, no qual depois devem ser inscritos determinadas formas e palavras, que variam mediante o dia da semana e a hora em que o ritual é realizado. É uma obra pequena, mas com bastante informação interessante para quem quiser explorar temáticas como estas.

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Este espaço é da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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