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Também conhecida sob o nome de "A Batalha dos Gatos e dos Ratos", esta pequena obra satírica apresenta-nos uma batalha de vários ratos contra um gato, num estilo que é quase homérico, chegando a nela existir até referências notáveis a momentos da Ilíada e da Odisseia. Os deuses não estão muito presentes (aparecem, essencialmente, num sonho/profecia de um dos ratos e nas invocações que precedem o combate), mas esta obra do século XII merece ser mencionada é pelo seu carácter paródico. Não é única na literatura bizantina, mas é curioso exemplo do que aí foi sendo produzido ao longo dos séculos.

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Quando, numa qualquer série de televisão, as personagens são vistas durante um ritual mágico, normalmente desenham algo deste género:

Trata-se, essencialmente, de um círculo com alguns desenhos e escritos no seu interior, mas o que significa? Obviamente que nestas artes místicas muitas são as possíveis respostas, mas é disso que fala a obra Elementos Mágicos, de Pedro de Abano. Ele insta os leitores a desenharem um círculo, símbolo da unidade divina, no qual depois devem ser inscritos determinadas formas e palavras, que variam mediante o dia da semana e a hora em que o ritual é realizado. É uma obra pequena, mas com bastante informação interessante para quem quiser explorar temáticas como estas.

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Este pequeno livro de Miguel Pselo conta, de uma forma muito sucinta, como funcionam os daemones, e daí o seu título. É estruturado como um diálogo entre uma pessoa que sabe (indirectamente) o que está a dizer sobre esse tema e uma que parece querer aprender um pouco mais. Nada apresenta de muito complexo, mas contém alguma informação interessante para quem, como uma das personagens, quiser saber mais sobre como essas intervenções funcionavam. Por exemplo, como é feito um pacto com um daemon? Parafraseando a informação deste livro:

 

 

É um ritual macabro, horrendo, como o são quase todos do género, mas é mesmo esse aspecto assustador, ilegalmente transgressivo, que supostamente contribui para o seu poder. Felizmente a obra não contém muitos outros momentos tão chocantes como este, sendo uma boa fonte de informação sobre a forma como os daemones (que, aqui, até poderíamos traduzir já como "demónios") eram vistos no século XI. Ainda assim, convém que leitores mais sensíveis a evitem, por razões óbvias.

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O Malleus Maleficarum é provavelmente uma das mais famosas obras sobre bruxas. Foi inicialmente publicado em 1487, com o principal objectivo de detectar e proceder à destruição dessas figuras, objectivo que está bem patente na divisão tripartida da obra - uma primeira secção fala do conceito da feitiçaria e da forma como esta tem a capacidade de influenciar a vida humana, enquanto a segunda apresenta todas as estratégias usadas por essas figuras maléficas. A terceira, porém, é muito menos interessante para o contexto deste espaço, apresentando principalmente a forma legal como a Inquisição deveria lidar com as bruxas.

 

Se a primeira secção aborda a ideia de magia [negra] de um ponto maioritariamente teórico, será mesmo a segunda a parte mais interessante de toda a obra, demonstrando ao leitor tudo aquilo que as bruxas pareciam ter a capacidade de fazer em finais do século XV. Não só o autor explica os fundamentos por detrás das supostas capacidades, como também dá diversos exemplos de que parece ter ouvido falar. Isso acaba por ser bastante interessante e enriquecer o tema, fundindo uma espécie de discurso académico com situações muitas vezes totalmente inesperadas.

 

Para quem estiver interessado em temas relacionados com a feitiçaria, as duas primeiras sequências desta obra são de uma enorme importância. A terceira, no entanto, acaba por ser de valor secundário.

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Existem livros que indubitavelmente mudaram o nosso mundo. O mais evidente de todos eles é a Bíblia, mas quantos terão sido os leitores que já a leram do início ao fim? Infelizmente, essa mesma ideia de "ouvi falar [bastante?] da obra, mas nunca a li" parece ser uma constante em relação a alguns dos textos mais importantes da história da humanidade.

 

É por essa razão que hoje aqui trazemos uma obra mais inesperada, o Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo, de Galileu Galilei. O título dificilmente soará familiar, mas suficiente será dizer que esta é a obra em que o famoso polímata italiano discute se é a Terra ou o Sol o elemento central do universo. Assim, o sistema cósmico de Ptolomeu é comparado com o de Copérnico; não nos é dito directamente qual dos dois é o melhor ou o correcto, mas quem for ler a obra poderá compreender que as evidências apontam claramente para um deles (nada de spoilers!). Terá certamente sido essa visão muito pouco imparcial da questão que levou à condenação do autor e das suas obras, bem como à colocação deste texto no catálogo de obras proibidas pela Igreja Católica.

 

Contrariamente ao que poderíamos pensar esta obra é fácil de ler, até porque o autor apresenta as suas ideias sob a forma de um diálogo, quase sempre com explicações bastante simples e apropriadas para um público não-especialista. Contém algumas breves referências a mitos gregos e latinos, juntamente com muitas ideias de Aristóteles, devido essencialmente à ideia vigente no seu tempo que apresentava o corpus aristotélico como a base para (quase) todo o conhecimento. É, por isso, uma obra que não podemos deixar de recomendar para todos aqueles que também estejam interessados em Astronomia.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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