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Este pequeno livro de Miguel Pselo conta, de uma forma muito sucinta, como funcionam os daemones, e daí o seu título. É estruturado como um diálogo entre uma pessoa que sabe (indirectamente) o que está a dizer sobre esse tema e uma que parece querer aprender um pouco mais. Nada apresenta de muito complexo, mas contém alguma informação interessante para quem, como uma das personagens, quiser saber mais sobre como essas intervenções funcionavam. Por exemplo, como é feito um pacto com um daemon? Parafraseando a informação deste livro:

 

 

É um ritual macabro, horrendo, como o são quase todos do género, mas é mesmo esse aspecto assustador, ilegalmente transgressivo, que supostamente contribui para o seu poder. Felizmente a obra não contém muitos outros momentos tão chocantes como este, sendo uma boa fonte de informação sobre a forma como os daemones (que, aqui, até poderíamos traduzir já como "demónios") eram vistos no século XI. Ainda assim, convém que leitores mais sensíveis a evitem, por razões óbvias.

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O Malleus Maleficarum é provavelmente uma das mais famosas obras sobre bruxas. Foi inicialmente publicado em 1487, com o principal objectivo de detectar e proceder à destruição dessas figuras, objectivo que está bem patente na divisão tripartida da obra - uma primeira secção fala do conceito da feitiçaria e da forma como esta tem a capacidade de influenciar a vida humana, enquanto a segunda apresenta todas as estratégias usadas por essas figuras maléficas. A terceira, porém, é muito menos interessante para o contexto deste espaço, apresentando principalmente a forma legal como a Inquisição deveria lidar com as bruxas.

 

Se a primeira secção aborda a ideia de magia [negra] de um ponto maioritariamente teórico, será mesmo a segunda a parte mais interessante de toda a obra, demonstrando ao leitor tudo aquilo que as bruxas pareciam ter a capacidade de fazer em finais do século XV. Não só o autor explica os fundamentos por detrás das supostas capacidades, como também dá diversos exemplos de que parece ter ouvido falar. Isso acaba por ser bastante interessante e enriquecer o tema, fundindo uma espécie de discurso académico com situações muitas vezes totalmente inesperadas.

 

Para quem estiver interessado em temas relacionados com a feitiçaria, as duas primeiras sequências desta obra são de uma enorme importância. A terceira, no entanto, acaba por ser de valor secundário.

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Existem livros que indubitavelmente mudaram o nosso mundo. O mais evidente de todos eles é a Bíblia, mas quantos terão sido os leitores que já a leram do início ao fim? Infelizmente, essa mesma ideia de "ouvi falar [bastante?] da obra, mas nunca a li" parece ser uma constante em relação a alguns dos textos mais importantes da história da humanidade.

 

É por essa razão que hoje aqui trazemos uma obra mais inesperada, o Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo, de Galileu Galilei. O título dificilmente soará familiar, mas suficiente será dizer que esta é a obra em que o famoso polímata italiano discute se é a Terra ou o Sol o elemento central do universo. Assim, o sistema cósmico de Ptolomeu é comparado com o de Copérnico; não nos é dito directamente qual dos dois é o melhor ou o correcto, mas quem for ler a obra poderá compreender que as evidências apontam claramente para um deles (nada de spoilers!). Terá certamente sido essa visão muito pouco imparcial da questão que levou à condenação do autor e das suas obras, bem como à colocação deste texto no catálogo de obras proibidas pela Igreja Católica.

 

Contrariamente ao que poderíamos pensar esta obra é fácil de ler, até porque o autor apresenta as suas ideias sob a forma de um diálogo, quase sempre com explicações bastante simples e apropriadas para um público não-especialista. Contém algumas breves referências a mitos gregos e latinos, juntamente com muitas ideias de Aristóteles, devido essencialmente à ideia vigente no seu tempo que apresentava o corpus aristotélico como a base para (quase) todo o conhecimento. É, por isso, uma obra que não podemos deixar de recomendar para todos aqueles que também estejam interessados em Astronomia.

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Também conhecida como "Edda jovem", ou "Edda de Snorri", para que possa ser distinguida da "outra" Edda, que é em verso, mais antiga (já voltaremos a isso) e baseada em fontes orais, este conjunto de três textos apresenta-nos as histórias essenciais dos deuses e mitos nórdicos.

 

A compilação é precedida por um prefácio que estabelece uma ligação entre Tróia (sim, a de Homero) e os deuses nórdicos. Depois, o primeiro texto, denominado Gylfaginning, apresenta um rei mítico da Suécia, enquanto este faz as mais diversas perguntas aos deuses. Curiosamente, muitas delas são questões que também os próprios leitores podem ter, e as explicações dadas são, quase sempre, fáceis de compreender mesmo para quem não entenda muito destes assuntos. De facto, a sua leitura é tão fácil que o texto pode até ser considerado como uma introdução perfeita aos mitos nórdicos!

 

O segundo e terceiro textos, Skáldskaparmál e Háttatal,  falam da poesia, nomeadamente de um conjunto de fórmulas e esquemas que poderiam ser usados pelos poetas. Apesar de serem textos mais teóricos, também contêm diversas menções aos mitos nórdicos. Porém, poderão não agradar a todos os leitores.

 

Podemos saber que estes textos são mais recentes que os da outra Edda não só pelo evemerismo aqui presente (e totalmente ausente da obra anterior), que tenta tornar os deuses nórdicos em meros reis do passado, mas pela referência directa a diversos conteúdos cristãos - não só Jesus Cristo é mencionado por diversas vezes, como também é mencionado o facto de existirem fórmulas poéticas específicas que podiam ser usadas em relação a essa figura cristã.

 

De um modo geral, esta é uma obra incontornável para os interessados em mitos nórdicos. Em particular, a sua primeira parte é, como já dissemos, muito fácil de ler e agradável - fica o convite para a sua leitura!

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Também conhecida por "Edda em verso", esta colectânea é uma das duas fontes essenciais para o estudo dos mitos nórdicos. É composta por cerca de 30 poemas de autoria anónima, que podem ser divididos em dois grupos - construções poéticas sobre os deuses, e sobre os heróis. Se os primeiros até podem ser lidos de uma forma descontextualizada, já os segundos continuam uma história quase sequencial, sendo mais agradável e interessante lê-los nessa forma contínua.

 

Não há muito que se possa dizer aqui sobre cada um dos poemas; contêm desde frases de sabedoria até breves episódios mitológicos, mas contrariamente ao que acontece com a outra Edda (de que falaremos brevemente), não existe aqui nenhum poema muito específico que, na nossa opinião, seja de imenso valor individual para todos os leitores. É a própria compilação, no seu geral, que é importante para os interessados nos mitos nórdicos.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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