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A Utopia de Thomas More

A Utopia, de Thomas More, é a história (ficcional) de um filósofo-navegador português, de nome Rafael Hitlodeu, que numa dada altura das suas viagens se encontrou na terra de Utopia, um estado ideal que pouco fica a dever à República de Platão. Porém, a descrição desse Estado - que é o elemento mais famoso da obra - só aparece no segundo livro. O que contém o primeiro? Essencialmente, uma discussão crítica de diversos aspectos culturais do tempo de Thomas More, que depois serve de introdução à possível alternativa vigente nas terras de Utopia.

 

Se, por um lado, uma leitura puramente lúdica desta obra é um pouco enfadonha, por outro uma discussão das ideias apresentadas nesta Utopia poderá ser muito prolífica, na medida que a obra oferece um enorme número de ideias (ou, se assim preferirmos, quase sugestões) que ainda merecem ser discutidas nos nossos dias de hoje. Infelizmente, poucos parecem ter sido os nossos políticos que a leram; quão diferente - e quão melhor - seria o nosso mundo se esta utopia sugerida por More já tivesse sido tornada realidade!

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Cisnes e o amor

As mulheres desejam as proezas dos homens jovens e aceitam o mérito em vez de uma boa aparência. O amor tem mil e uma entradas: para alguns, uma bela figura abre o portão ao prazer, para outros um coração valente, enquanto que certos outros o devem à sua proficiência nas artes; para um menor número a cortesia oferece uma oportunidade ao amor, enquanto que muitos se tornam elegíveis pelo esplendor da sua reputação, e a coragem pode até ferir os corações das mulheres de uma forma tão profunda como a graciosidade.

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livro

Associamos estes dois livros pelo facto de, essencialmente, se tratarem de um só, em que quase só mudam os nomes dos seus intervenientes. E, nesse seguimento, são obras relativamente simples, em que uma das personagens coloca algumas questões àquela que lhe é superior. Vejamos três exemplos particularmente curiosos:

 

  • Quais são as quatro coisas que jamais estarão satisfeitas?

A terra, o fogo, o inferno e um homem que deseja as riquezas do mundo.

  • Qual foi o homem que morreu mas não nasceu, e depois da morte foi sepultado no ventre de sua mãe?

Foi Adão, o primeiro homem, porque a terra foi a sua mãe, e depois da morte foi aí sepultado.

  • Como é que Cristo nasceu da sua mãe, Maria?

Pelo seio direito.

 

Além destes pequenos exemplos, existem nestas obras alguns elementos que não deixam de ser curiosos. Numa dada altura é referido, indirectamente, que o fruto da famosa árvore do Paraíso era o figo. Porquê este, e não a maçã? A resposta é fácil de compreender se  recordarmos que no Evangelho Segundo São Marcos Jesus amaldiçoou uma figueira. De facto, é essa mecânica de ideias que pauta o conteúdo da obra - é feita uma questão e depois é apresentada uma resposta que, em muitos casos (mas nem sempre!), pode ser subentendida do texto bíblico ou de alguns elementos da cultura cristã medieval. E, nesse sentido, se não é uma obra muito interessante para um leitor leigo, aqueles que tenham interesse na evolução das crenças cristãs poderão aqui encontrar muito material que lhes dará que pensar.

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Niobe e Anfion

Nesta obra, Boccaccio apresenta-nos breves biografias de 106 mulheres, contando-se entre elas um grande número de figuras mitológicas - Ceres e Minerva, Isis, Europa, Medeia, Jocasta, ou Helena de Tróia, entre muitas, muitas outras. Mas, com a excepção notável de Eva, figuras mais ligadas ao Cristianismo estão totalmente ausentes da obra, como também o estão de outra obra do mesmo autor, Sobre os Destinos dos Homens Famosos.

 

Mas, mais do que uma obra de carácter biográfico, este é um texto com uma intenção moralizante, já que pelo exemplo de todas essas mulheres o autor pretende demonstrar um conjunto de características que já não encontrava no sexo feminino dos seus dias. Para mencionar um único caso, numa dada biografia é exaltada a eterna fidelidade de uma determinada heroína, antes de serem criticados os múltiplos casamentos das mulheres do seu tempo.

 

Finalmente, uma referência inesperada - a Papisa Joana é uma das mulheres cuja biografia aparece constante nesta obra, sendo ela tratada como uma figura totalmente real. Será que o foi? Essa é uma questão que, como antes, preferimos deixar para os leitores.

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Édipo

Este pequeno poema medieval, de cerca de 84 versos, recorda os principais eventos da vida do herói numa primeira pessoa, e numa altura em que essa figura já se encontrava naquilo que o poema identifica directamente como "o Inferno [cristão]". Como é comum em outros lamentos, Édipo chora tudo aquilo por que passou; são breves as suas linhas, mas repletas de significado, e um perfeito exemplo de como alguns autores da Idade Média, muitas vezes anónimos, recordaram os mitos de outros tempos.

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Tirant lo Blanc

Quando, na trama do Don Quixote, os familiares do herói queimam a sua colecção literária, entre eles encontra-se um Tirant lo Blanc, um romance medieval que pareciam ter em muito boa conta. É, contrariamente a alguns outros mencionados nessa mesma altura, uma obra real e um bom romance de cavalaria, mas a sua referência aqui deve-se, mais que tudo, a um momento que é particularmente digno de menção.

 

Pouco depois de encontrar o amor, Tirant passa por um quarto em que se encontram representadas as mais famosas histórias de amor da sua época - "Flóris e Brancaflor, Tisbe e Píramo, Eneias e Dido, Tristão e Isolda, Rainha Guinevere e Lancelot". A segunda e a terceira delas provêm da Antiguidade, nomeadamente de Ovídio e Virgílio, enquanto que as restantes três são, essencialmente, histórias puramente medievais, de que a de Lancelot e Guinevere é, muito provavelmente, a mais famosa nos nossos dias.

 

E assim, neste Dia de São Valentim, que também os leitores inscrevam as suas próprias histórias entre as das figuras acima - que homem não gostaria de ser Lancelot? Que mulher não desejaria ser amada como Isolda?

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De autoria desconhecida, mas muito provavelmente dos séculos VII ou VIII da nossa era, este não é, como o seu nome poderia dar a entender, somente um livro sobre "monstros". Em vez disso, pode até ser dividido em três secções diferentes:

 

  • Na primeira delas surgem os "monstros", no sentido de criaturas quase humanas mas pouco vulgares. Entre elas contariam-se, por exemplo, os Panotiis (um dos quais é visto na imagem acima);
  • Na segunda, surgem animais pouco vulgares. Curioso é o facto de nesta secção o autor "conseguir", de alguma forma, identificar criaturas mitológicas, como os touros que cuspiam fogo que aparecem no mito de Jasão e Medeia;
  • Finalmente, a terceira secção contém relatos de criaturas serpentinas, cada uma delas com suas características. Entre elas estão, por exemplo, as serpentes que saíram do mar e mataram Laocoonte e os respectivos filhos.

 

A apresentação desta obra é feita assim por uma razão muito especifica - o mais interessante em relação a este Liber Monstrorum, ou "Livro dos Monstros" é o facto de conjugar alguns relatos mitológicos com informação real. É um livro que num momento nos refere o hipopótamo tal como o conhecemos e, no instante seguinte, acrescenta que este animal é muito tímido e foge de quem o persegue até ao ponto de começar a suar sangue. Num instante está a falar de serpentes, no seguinte quase que consegue identificar - não fazemos ideia como - o animal de onde provinham os miraculosos dentes que geravam seres humanos, famosos dos mitos de Tebas e de Medeia. É, por isso, uma inesperada obra que funde mitos e realidade, de uma forma um tanto ou quanto complexa.

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