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Mitologia em Português

Mitologia em Português

16 de Março, 2020

Um canto 13 da "Eneida"

Quem já tiver lido a Eneida saberá que a obra tem hoje 12 cantos, seis deles semelhantes à Odisseia e outros seis que seguem o modelo temático da Ilíada. Quem a quiser ler conhecendo esta estrutura saberá, sem quaisquer dúvidas, que a obra foi escrita com um propósito de seguir os modelos dos Poemas Homéricos, mas tomando partido de um tema completamente latino. Contudo, quem quiser ler toda a obra da mesma forma como o faria para uma obra literária dos nossos dias acabará por deparar-se com um problema notável - a história não tem um verdadeiro final.

Eneias e Turno

Se a trama da Eneida segue as aventuras do herói titular quase desde que ele foge de Tróia até ao momento em que derrota o Rei Turno, aos leitores dos nossos dias poderá parecer um tanto ou quanto estranho que não exista um verdadeiro término da narrativa, um qualquer momento em que seja possível dizer "ah, okay, acaba assim". A morte de Turno é uma espécie de espelho da morte de Heitor, mas alguns leitores poderão achá-la, de um ponto de vista puramente literário, muito pouco recompensadora.

 

Foi com vista a colmatar esse problema virtual que Maffeo Vegio, já nos inícios do século XV, decidiu escrever um poema que ficaria conhecido com o nome de décimo terceiro canto da Eneida, uma espécie de suplemento ao poema de Virgílio. Esta espécie de sequela tem pouco mais de 600 versos, mas a sua intenção é clara - contar o que aconteceu a Eneias depois do último verso do poema virgiliano.

Vegio prossegue então a história com três novos episódios - o funeral de Turno, o casamento do herói com Lavínia, e a sua posterior colocação entre os deuses. Os versos finais do seu poema até nos remetem claramente para o grande objectivo da sua obra - [Vénus] coloca entre as estrelas o seu Eneias e daqui vem que o Povo Júlio lhe chama deus, o honra e o serve em templos.

 

Claro que este não é um verdadeiro canto 13 da Eneida, quanto mais não seja pela autoria distinta, mas a forma como reaproveita o texto virgiliano, procurando completá-lo para uma nova audiência com novas expectativas, é surpreendente.

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